Valor Econômico, v. 22. n. 5422, 21/01/2022, Política, A10
França defende que pesquisa defina o candidato em SP

João Valadares
 

O ex-governador de São Paulo Márcio França (PSB) defendeu a avaliação de pesquisas eleitorais como critério para definição do nome que deve disputar o governo paulista. O ex-prefeito Fernando Haddad (PT) também é pré-candidato. PT e PSB articulam a criação de uma federação partidária.

Nos últimos levantamentos eleitorais, Haddad aparece na frente de França. O posicionamento do ex-governador foi visto no próprio PSB como movimento inicial para a desistência. Neste caso, ele poderia disputar o Senado.

“Eu quero ser candidato em São Paulo. O ex-presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva] falou ontem [quarta-feira] sobre pesquisas para definir quem vai disputar. Embora as pesquisas nem sempre sejam certeiras, mas pelo menos elas representam um critério objetivo. Acho que é uma boa saída”, disse França.
O ex-governador participou de reunião na manhã de ontem em Brasília com o presidente do PSB, Carlos Siqueira, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, e o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

De acordo com a última pesquisa do Datafolha, divulgada em dezembro, o ex-governador Geraldo Alckmin (sem partido) liderava com 28%, seguido por Haddad, com 19%, e Márcio França, com 13%.

A expectativa é de que, sem Alckmin na disputa estadual, o quadro eleitoral seja bastante alterado. O ex-governador é cotado para ser vice na chapa do ex-presidente Lula. Siqueira diz acreditar que o ex-tucano deve mesmo se filiar ao partido e figurar na chapa presidencial.

No encontro de ontem, PT e PSB decidiram que vão começar a debater os impasses eleitorais nos Estados a partir da quinta-feira a próxima semana. “Vamos começar por Pernambuco”, informou Gleisi Hoffmann. “Lá, o PSB tem preferência na indicação [do candidato]. Queremos debater essa unidade. Vamos fazer calendário com os outros Estados também”, completou.

Além de PT e PSB, vão participar das reuniões o PCdoB e o PV. A dirigente do PT explicou que o partido lançou a pré-candidatura do senador Humberto Costa em Pernambuco porque o candidato natural do PSB, que seria o ex-prefeito do Recife Geraldo Julio, desistiu de se candidatar. No entanto, após estimular Costa, Lula declarou na quarta-feira, em entrevista a blogs de esquerda, que a preferência no Estado é do PSB.

Pouco antes, o senador havia reforçado em entrevista a uma rádio local que seria o candidato do PT ao governo.

Sobre a disputa em São Paulo, Gleisi avaliou que a candidatura de Fernando Haddad é essencial. Líderes do PSB já dão como certa a desistência de França. Mesmo assim, Carlos Siqueira reitera que ele só não é candidato se não quiser.

Ao contrário do critério de avaliação de pesquisas para definir os candidatos, defendido pelo próprio França, Siqueira ponderou que as alianças não podem ser matemáticas. “Na Bahia, por exemplo, estamos apoiando o Jaques Wagner (PT) e ele não está no primeiro lugar nas pesquisas”, disse. O cenário, no entanto, é diferente porque o PSB não tem pré-candidato na Bahia.

Em entrevista na sede do partido, o dirigente do PSB destacou que o entendimento político precede o eleitoral. “Temos que focar na precedência da política”, afirmou.

No plano nacional, Siqueira ratificou que o PSB vai apoiar o ex-presidente Lula. Lideranças do PDT apostavam no desgaste gerado pelas disputas locais para tentar atrair o apoio do PSB à pré-candidatura de Ciro Gomes. “Desde o início temos defendido uma frente ampla, que contemple a esquerda e o centro. Entendemos que a conjuntura nacional é de um retrocesso profundo. Neste sentido, Lula é quem melhor encarna a possibilidade de um enfrentamento a Jair Bolsonaro”, finalizou.