Valor Econômico, v. 22. n. 5422, 21/01/2022, Empresas, B4
Pátria Investimentos paga R$ 1,73 bi por hidrelétricas
André Ramalho, Gabriela Ruddy e Rodrigo Rocha
O Pátria Investimentos fechou um acordo para compra as usinas hidrelétricas da britânica ContourGlobal no Brasil, pelo valor de R$ 1,73 bilhão (US$ 313 milhões, incluindo dívidas), sendo R$ 898 milhões (US$ 162 milhões) pelo capital em si. Os ativos negociados têm capacidade instalada de 168 megawatts (MW).
A operação, prevista para ser concluída no segundo trimestre, foi um primeiro passo dentro do plano da ContourGlobal de monetizar seus ativos de energias renováveis no mercado brasileiro. A alienação dos ativos faz parte da estratégia da empresa de aumentar o seu valor de mercado e destravar valor para os acionistas.
Nesse sentido, a britânica também pretende vender, no primeiro semestre, seus parques eólicos no Brasil. O Pátria tem exclusividade na transação. Ao todo, segundo informações do site institucional da companhia, a ContourGlobal opera 598 MW eólicos, incluindo o parque Asa Branca (160 MW), no Rio Grande do Norte, e o complexo Chapada (438 MW), no Piauí.
Com a aquisição dos ativos da ContourGlobal, o fundo amplia a carteira de renováveis. O Pátria é sócio investidor da Essentia, que atua no mercado brasileiro de energia solar e eólica, e na chilena Latin América Power (LAP).
Procurada, o Pátria preferiu não comentar sobre o novo investimento. Com US$ 25 bilhões em ativos sob gestão, o fundo também atua no setor de geração de energia por meio da Arke - joint venture com Shell e Mitsubishi Power, responsável pela construção da térmica a gás Marlim Azul (565 MW), em Macaé (RJ).
A ContourGlobal informou que ainda decidirá se usará o dinheiro da venda das hidrelétricas para reinvestir em novas oportunidades de negócios ou para aumentar a remuneração aos acionistas. A companhia, listada na Bolsa de Londres, tem um portfólio global de 6,3 gigawatts (GW).
O acordo com o Pátria inclui nove pequenas centrais: Goiandira (27,7 MW), Nova Aurora (21,6 MW), São Domingos (25 MW) e Galheiros (12 MW), em Goiás; Presidente Goulart e Alto Fêmeas (18,7 MW) e Sítio Grande (23 MW), na Bahia; Pirapetinga (19,8 MW) e Pedra do Garrafão (20,3 MW), no Rio de Janeiro. As usinas foram compradas em 2016 pela britânica da Neoenergia e respondem por menos de 3% das receitas globais da ContourGlobal.
Ao comentar sobre a venda, o presidente da ContourGlobal, Joseph Brandt, afirmou, em nota, que o negócio é condizente com os esforços em “destravar valor de ativos subvalorizados do portfólio”. A negociação com o Pátria não inclui o portfólio de termelétricas de cogeração da ContourGlobal no Brasil, que totalizam 76,1 MW.
Para o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, a aquisição reforça o interesse do Pátria por renováveis e mostra a liquidez do mercado nacional. Segundo ele, o país está bem posicionado na atração de investidores por ter um “marco regulatório consistente”.
A previsibilidade de receitas do setor também contribui para dar liquidez aos ativos. O professor acredita que compras e vendas de ativos renováveis tendem a crescer, conforme as companhias definem estratégias na transição energética. “As renováveis estão ganhando uma importância grande na transição energética, os ativos têm se valorizado, então movimentos desse tipo se tornam naturais".