O GLOBO, n 32.352, 05/03/2022. Economia, p. 16
Brasil ocupa 21º lugar entre as nações que mais cresceram
João Sorima Neto
Peru, Colômbia e México tiveram avanços mais expressivos no ano passado
Mesmo com o crescimento de 4,6% apresentado pela economia brasileira no ano passado, o Brasil continua ocupando uma posição mediana no ranking de crescimento elaborado pela agência de classificação de risco Austin Rating. Segundo o levantamento, o país está na 21ª posição, atrás de países como Índia, China e Polônia, além de Peru, Colômbia e México, na América Latina. O levantamento considerou 34 países que já apresentaram os resultados de 2021.
Para Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, o crescimento da economia brasileira foi muito positivo, no ano passado, com a recuperação do setor de serviços impulsionado pelo avanço da vacinação contra a Covid-19 e a reabertura da economia.
DESCONTROLE FISCAL
Mas, ainda assim, o Brasil sempre tem aparecido nas posições intermediárias ou na rabeira do ranking de crescimento nos últimos anos. Ele lembra que a média anual de crescimento do país entre 2012 e 2021 ficou em 0,4%.
No mesmo período, o mundo cresceu em média 3% ao ano, as economias emergentes do chamado Brics — grupo que reúne Brasil, Índia, Rússia, China e África do Sul —tiveram expansão de 3,4%, e os países desenvolvidos da Europa e os Estados Unidos cresceram 1,2%.
— Não dá para colocar a culpa no mundo pelo baixo crescimento brasileiro. O mundo, os emergentes e até as economias mais maduras cresceram muito mais que o Brasil entre 2012 e 2021. Nossos problemas internos como baixo investimento e situação fiscal descontrolada pesaram sobre esse desempenho ruim —diz Agostini. Para 2022, quando a expectativa é que o Brasil cresça apenas 0,3%, de acordo com a pesquisa Focus, o país deve perder ainda mais posições nesse ranking, prevê o economista.
— Será um ano difícil, com inflação e juros altos, as incertezas da guerra na Ucrânia, além de uma eleição presidencial — afirma Agostini.
A primeira posição no ranking é ocupada pelo Peru, que teve um crescimento de 13,3% no ano passado, seguido da Turquia, com crescimento de 11%, e da Colômbia, com 10,7%. Outro país latino-americano que aparece à frente do Brasil na lista é o México, que avançou 4,8%.
A China ocupa a 5ª posição, com crescimento de 8,1%, enquanto os Estados Unidos aparecem na 12ª posição, com expansão de 5,7%.