O GLOBO, n 32.353, 06/03/2022. Economia, p. 15
Países já traçam estratégias para liderar nova corrida tecnológica
Manoel Ventura
Globalmente, a corrida tecnológica já começou, com previsão de incentivos locais para a indústria no Reino Unido e na Índia e estratégias em curso em União Europeia, China, Japão e Estados Unidos. Depois de a corrida pelo 5G apontar a proeminência da gigante chinesa Huawei nos mercados internacionais — apesar das sanções aplicadas por EUA e Reino Unido —, representantes americanos e japoneses firmaram um acordo este ano na tentativa de dominar as redes 6G.
Os dois países querem construir, juntos, equipamentos adaptados à tecnologia, em uma estratégia de minar a participação da China nesse mercado. Pequim também já tem anunciado conquistas na área, dando um indicativo de que essa guerra está só começando. Os americanos pressionaram diversos países, inclusive o Brasil, a banir a Huawei na construção das redes 5G.
A alegação é a de possibilidade de espionagem, sempre negada pela empresa. Em fevereiro, em evento do mercado financeiro, o diretor de Soluções e Cibersegurança da Huawei, Marcelo Motta, disse que a empresa já estuda o 6G do ponto de vista de investimentos:
— A gente começou a investir em 5G em 2009, para a primeira rede sair em 2018. Investimentos pesados em pesquisa e desenvolvimento, metade dos nossos funcionários estão nessa área. Estamos fazendo esses investimentos no 6G. Enquanto isso, um ecossistema nacional para o tema já está em formação a partir do Projeto Brasil 6G, que foi iniciado no ano passado com liderança do Inatel e da Rede Nacional de Pesquisa e Ensino, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.
O Projeto Brasil 6G é dividido em várias frentes de pesquisa e conta com a participação de seis universidades e do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD). (Manoel Ventura)