O GLOBO, n 32.353, 06/03/2022. Política, p. 10

Castro e Paes almoçam juntos e aliados pedem união em chapa



Governador e prefeito combinaram encontro em bar da Zona Norte do Rio

O governador do Rio, Cláudio Castro (PL), e o prefeito Eduardo Paes (PSD) almoçaram juntos ontem em um bar da Zona Norte do Rio, alimentando pedidos de aliados que defendem um acordo formal, tido como improvável, na eleição deste ano. Castro tentará a reeleição, enquanto Paes lançou o ex-presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, como candidato ao governo. O encontro foi revelado pela colunista Berenice Seara, do Extra. 

Segundo interlocutores, Castro e Paes entraram em contato e combinaram o encontro entre agendas na manhã de ontem. O governador havia passado pela quadra da escola de samba Império Serrano, em Madureira, e seguiu à tarde para anúncios de obras em bairros como Engenho da Rainha e Brás de Pina. Já o prefeito vistoriou obras de um terminal do BRT em Deodoro, na Zona Oeste, e passou a tarde andando por bairros da Zona Norte, como Ramos, Olaria e Bonsucesso.

—São dois políticos jovens, porém experientes e com muito futuro. Se depender da minha torcida e de milhões de fluminenses, precisam caminhar juntos — disse o secretário estadual de Obras, Max Lemos (PSDB).

O PSDB de Lemos, embora na base de Castro, se mantém próximo a Paes e é tido como um dos possíveis destinos do ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia (sem partido), aliado do prefeito. No almoço, em que Paes e Castro sentaram-se lado a lado, também estiveram presentes o deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ), o deputado estadual Dionísio Lins (PP), o vereador Alexandre Isquierdo (União) e o vice-prefeito do Rio, Nilton Caldeira (PL). 

Todos eles, inclusive Caldeira, que chegou a se afastar de Paes no ano passado, estavam na comitiva de Castro. O grupo, no entanto, contém interlocutores frequentes de Paes. Isquierdo é aliado do pastor Silas Malafaia, que  Paes e Castro, ao centro, trocam sorrisos e abraços em bar costuma apoiar o prefeito em campanhas. A esposa de Dionísio, a vereadora Vera Lins (PP), é próxima à base de Paes na Câmara.

Há alguns meses, Castro tentou convencer Paes a indicar um aliado como seu vice, e sugeriu como opções os secretários municipais de Saúde, Daniel Soranz, e de Fazenda, Pedro Paulo. Ambos planejam concorrer a deputado federal pelo PSD este ano. A proximidade de Castro com o presidente Jair Bolsonaro (PL), no entanto, esfriou o diálogo com Paes —que, embora tenha boa relação com o governador, tem se colocado como crítico do Planalto.

— Temos certeza de que o melhor caminho para Eduardo é construir um time juntos —afirmou Côrtes. 

O prefeito, que chegou a acenar no ano passado com um possível apoio à candidatura do deputado Marcelo Freixo (PSB) ao governo, hoje descarta essa hipótese e lançou Santa Cruz pelo PSD. 

No último mês, Paes externou incômodo com o ex-presidente Lula (PT), cujos aliados buscam apoio do prefeito e do PSD, por manter a decisão de apoiar Freixo. O deputado hoje pontua no mesmo patamar de Castro em pesquisas internas das campanhas, mas é tido como nome rejeitado pelo eleitorado conservador num segundo turno, por sua ligação com o PSOL. Adversários de Paes, por sua vez, alegam que o prefeito não vê de forma negativa uma vitória de Castro porque deixaria o caminho aberto para a disputa pelo governo em 2026. 

Em nota enviada pela assessoria de imprensa da prefeitura, Paes disse que “foi almoçar no Cachambeer, onde vai sempre”, e que Castro “tinha uma agenda na Zona Norte e falou que gostaria de passar lá”. O prefeito disse ter reafirmado a Castro “que não vai apoiá-lo” na eleição, mas que “continuam trabalhando juntos pelo bem do Rio”.