Correio Braziliense, n. 22721, 05/06/2025. Especial 11° Fórum Parlamentar do BRICS, p. 4
Ampliação do diálogo Sul-Sul.
Alícia Bernardes
Lideranças brasileiras e internacionais destacaram a urgência de uma ação coordenada entre os países do Sul Global ante desafios como o enfraquecimento do multilateralismo, as mudanças climáticas, a desigualdade social e a transformação digital. O assunto foi debatido, ontem, na abertura oficial do 11º Fórum Parlamentar do Brics, no Congresso.
À frente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB) — o banco do Brics —, a ex-presidente Dilma Rousseff participou, por videoconferência e fez duras críticas às políticas unilaterais e ao retrocesso da cooperação internacional. Para Dilma, os países do Sul Global não podem repetir estratégias do passado baseadas apenas na exportação de produtos primários. “Ficar para trás na era digital não é uma opção”, afirmou.
O Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou que os parlamentos são “o elo necessário entre os interesses dos povos que representamos e as instâncias de decisão global”. Já o presidente da Câmara, Hugo Motta, enfatizou que os organismos multilaterais precisam ser reformados para refletir a realidade geopolítica atual e que os parlamentos devem estar preparados para assegurar os direitos fundamentais.
O presidente da República em exercício, Geraldo Alckmin, reforçou a importância da ação conjunta entre os países do bloco para enfrentar as crises contemporâneas. Ao citar as seis prioridades da presidência brasileira do Brics em 2025 — saúde global, desenvolvimento econômico, transição verde, transformação digital, inclusão social e reforma da governança global — Alckmin destacou a necessidade de acesso equitativo a vacinas, medicamentos e tecnologias de saúde, além do compromisso com a redução de emissões de carbono e a preservação ambiental. “Nenhum país pode enfrentar esses desafios sozinho”, afirmou. Ele também defendeu uma governança ética da inteligência artificial e reiterou o apoio do Brasil à reforma do Conselho de Segurança da ONU.