Correio Braziliense, n. 22721, 05/06/2025. Economia, p. 7

Queixas crescentes

Francisco Artur De Lima

 

Em meio a questionamentos dos recursos de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS) desviados de forma irregular para associações, o governo comunicou, ontem, o registro de mais de 300 mil segurados que foram presencialmente a agências do Correios e Telégrafos para checar se houve possíveis descontos irregulares em suas respectivas pensões ou aposentadorias.

Desde a última sexta-feira (30), aposentados e pensionistas podem procurar agências dos Correios para averiguar se foram atingidos pela fraude no INSS. Essa possibilidade, voltada para idosos sem familiaridade com tecnologia, ocorreu graças a uma parceria entre a empresa de Correios e Telégrafos e o Instituto Nacional de Seguro Social. Ao todo, segundo o INSS, aposentados e pensionistas terão 4.730 agências distribuídas por 76% dos municípios brasileiros para averiguar presencialmente se houve descontos irregulares em aposentadorias.

Somando a esse montante as queixas registradas via aplicativo “Meu INSS” ou pelo telefone 135 ultrapassam 3,1 milhões de vítimas confirmadas. Segundo o órgão, até ontem, foram realizadas 2.840,165 milhões de consultas sobre possíveis descontos associativos já foram feitos.

Do total de questionamentos de repasses a associações, o INSS informou que 2.766,126 milhões de aposentados ou pensionistas não autorizaram essa transferência. Já outros 74.039 mil confirmaram a permissão para repasse de recursos. Ao todo, ainda segundo o INSS, 41 associações foram contestadas.

O INSS alertou mais de 9 milhões  de  aposentados  e pensionistas que tiveram descontos suspeitos entre 2019 e 2024.

Desvios bilionários

Identificada, em abril, pela Operação Sem Desconto — ação da Polícia Federal (PF) em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) —, a fraude no INSS consistiu em um esquema de repasses irregulares sem autorização dos segurados de recursos de aposentados e pensionistas para associações. A PF estima que, em cinco anos, cerca de R$ 6,3 bilhões foram desviados de forma irregular a associações.

Ontem, a PF cumpriu dois mandados de busca e apreensão em municípios de Sergipe. As ações ocorreram nas cidades de Indiaroba e Umbaúba, localizadas no litoral sul do estado. As ordens judiciais foram expedidas pela 3ª Vara Federal de Sergipe, que também autorizou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos suspeitos.

Ainda sem previsão, o ressarcimento das vítimas deve vir por meio de operações judiciais de bloqueio de bens de empresas e sócios envolvidos no esquema de corrupção, de acordo com a Advocacia-Geral da União (AGU).

O órgão conseguiu o bloqueio de R$ 119 milhões oriundos de associações suspeitas de repasses irregulares nesta semana. A ação ocorreu após decisão da juíza federal Luciana Raquel Tolentino de Moura, da 7ª Vara Federal do Distrito Federal. Cada um desses processos resultou no bloqueio de até R$ 23,8 milhões.