Correio Braziliense, n. 22722, 06/06/2025. Economia, p. 7

Brasília recebe reunião anual do BDC

Edla Lula

 

A partir da próxima segunda-feira, o Brasil vai sediar a 55ª Reunião Anual do Banco de Desenvolvimento do Caribe (BDC). O encontro, que segue até 9 de junho, encerra o mandato do Brasil como presidente da Assembleia de Governadores do Banco, iniciado no ano passado.

De olho na Conferência sobre Mudanças Climáticas da Organização das Nações Unidas (ONU), a COP 30, que ocorrerá em novembro, em Belém (PA), a reunião anual do BDC terá o tema “Construindo o Futuro: Instituições Resilientes para um Caribe Mais Verde, Mais Forte e Inclusivo”. A estimativa é de que 400 delegados dos 28 países que integram a instituição participem do evento que ocorrerá em Brasília.

O Brasil tem uma participação pequena no BDC, é membro não mutuário e conta com 1,12% do poder de voto. No entanto, a secretária interina de Assuntos Internacionais e Desenvolvimento do Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), Viviane Vecchi, destaca a posição estratégica do país na instituição.

“Em termos de população, o Brasil é mais ou menos 16 vezes maior do que todo Caribe junto. E, em termos de PIB, somos quase 30 vezes maior do que o Caribe todo junto. Então, sendo o país mais importante da região, é importante olhar para os países pequenos com dificuldades, focando em segurança alimentar, mas também em questões de integração logísticas, mirando as relações Sul-Sul, além das questões climáticas”, comentou, ontem, a secretária, em encontro com jornalistas, no qual detalhou a programação do evento.

O MPO representa o governo brasileiro na instituição multilateral de desenvolvimento, que é composta por 28 membros. Desse total, 19 países e territórios caribenhos são mutuários (que podem receber financiamentos) e detêm em torno de 55% das ações do BDC. Os nove demais países se dividem em quatro membros regionais não mutuários (incluindo o Brasil) que somam 9,4% das ações; e outros 5 membros não regionais, que detêm os demais 35% das ações. Os maiores acionistas são a Jamaica e Trinidad e Tobago, com 17,31% do poder de voto cada, seguidos por Canadá e Reino Unido (9,31% cada) e China, Alemanha e Itália (5,58% cada).

O fato de o Brasil ser acionista do banco, “abre oportunidades para intensificar as relações econômicas com o Caribe e possibilita que empresas privadas brasileiras concorram em licitações financiadas pelo BDC”, segundo a secretária. Ela citou o exemplo da construtora Queiroz Galvão, que venceu a licitação financiada pelo banco no valor de US$ 154 milhões, para construir o trecho Linden — Mabura Hill da rodovia Linden-Lethem, na Guiana.

Esse trecho é estratégico para o desenvolvimento do projeto Rotas da Integração, do MPO, ao proporcionar a integração viária com o estado de Roraima.