Correio Braziliense, n. 22722, 06/06/2025. Política, p. 4
PSDB aprova união com Podemos
Wal Lima
O PSDB aprovou ontem, em convenção nacional, em Brasília, a proposta de incorporação do Podemos ao partido. A deliberação contou com a participação de dirigentes, parlamentares e líderes tucanos de todo o país, com o apoio da ampla maioria: 201 votos favoráveis e apenas 2 contrários.
Ainda sem nome definido, a nova legenda vinha sendo articulada há meses e, segundo integrantes das siglas, visa consolidar um polo de centro democrático capaz de competir com mais força nas eleições de 2026. “A aprovação dessa união é uma demonstração de que o PSDB está disposto a se reinventar. Estamos abrindo espaço para um novo ciclo político”, afirmou o presidente nacional do PSDB, Marconi Perillo, que acrescentou que “a incorporação do Podemos representa uma ampliação do campo de ação político em decorrência da afinidade programática e complementaridade estratégica”.
Com a incorporação, a nova legenda passará a contar com 28 deputados federais — número que pode aumentar, uma vez que a legislação permite a migração partidária em casos de fusão sem perda de mandato. Isso tornará a legenda a sétima maior bancada da Câmara dos Deputados. No Senado, a expectativa a é de que o grupo alcance sete senadores, formando a quarta maior força da Casa.
Para o deputado federal Aécio Neves (PSDB-MG), a união fortalece a legenda em um momento decisivo. “Essa fusão confere musculatura política e pode atrair quadros qualificados que se afastaram da política partidária por desalento. Estamos reencontrando nosso eixo”, declarou.
A presidente nacional do Podemos, Renata Abreu (SP), também celebrou o resultado da convenção. “Estamos unindo forças em torno de valores democráticos e propostas concretas para o país. É uma união de trajetórias com base na responsabilidade com o Brasil. A expectativa é que a nova legenda seja protagonista no debate nacional”, disse.
Segundo aliados, as tratativas finais para oficialização da fusão junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) devem ser concluídas já na próxima semana. A nova sigla, cujo nome e identidade visual ainda estão sendo discutidos, deverá herdar a sexta maior fatia do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), o que se traduz em maior capacidade de organização e presença nos estados.
Reestruturação
A fusão ocorre em meio a um processo de desgaste do PSDB, que desde as eleições de 2018 vem enfrentando crise de identidade e perda de relevância nacional. Em 2024, o partido viu dois de seus três governadores eleitos em 2022 deixarem a legenda: Eduardo Leite (RS) e Raquel Lyra (PE) migraram para o PSD, aprofundando a sensação de esvaziamento, restando apenas um governador tucano no país: Eduardo Riedel (MS).
Durante a convenção, Riedel declarou apoio integral à fusão. “O partido precisa se reencontrar com seu papel histórico. A união com o Podemos pode ser o ponto de virada”, disse. Apesar de ter sido cortejado por outras siglas, Riedel afirmou à cúpula tucana que só tomaria uma decisão após o desfecho das negociações, e agora sinaliza permanecer no novo partido unificado.
Nos bastidores, lideranças esperam que a fusão simbolize não apenas um reforço numérico, mas também ideológico, sendo uma alternativa ao radicalismo.
“A incorporação do Podemos representa uma ampliação do campo de ação político em decorrência da afinidade programática e complementaridade estratégica”.”
Marconi Perillo, presidente do PSDB