O GLOBO, n 32.355, 08/03/2022. Política, p. 08

Federação com PSDB faz Leila do Vôlei deixar Cidadania

Rodrigo Castro


Senadora pretende concorrer ao governo do Distrito Federal e está cotada para legenda do PDT; tucanos já têm pré-candidato

A senadora Leila Barros (DF), a Leila do Vôlei, comunicou ontem sua desfiliação do Cidadania, após o partido aprovar no mês passado a formação de uma federação com o PSDB. A parlamentar, que pretende concorrer ao governo do Distrito Federal no pleito deste ano, justificou que a união das legendas repercutiria em negociações relacionadas às eleições.

“Após uma longa reflexão acerca da decisão e dos impactos de o Cidadania formar uma federação, optei por me desfiliar do partido, uma vez que essa união repercute diretamente nas conversações relacionadas às próximas eleições para o Governo do Distrito Federal”, informou a senadora em nota.

No comunicado, Leila agradeceu nominalmente ao presidente do partido, Roberto Freire, e aos senadores Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE). Também citou a bancada do Cidadania na Câmara dos Deputados e o diretório do Distrito Federal “pela generosidade e pela acolhida”.

“Deixo o partido mantendo as amizades que construí e alimentando o mesmo respeito por sua militância e quadros políticos”, afirmou a parlamentar.

Apesar do anúncio, Leila não informou sua nova legenda. Seu nome é cotado para se candidatar ao Palácio do Buriti pelo PDT, do précandidato à Presidência da República Ciro Gomes.

NOME TUCANO NO DF

A federação do Cidadania com o PSDB dificultaria os planos da senadora, já que os tucanos lançaram a pré-candidatura do senador Izalci Lucas ao governo do DF.

Em fevereiro, o Cidadania aprovou a formação da federação com o PSDB após reunião do Diretório Nacional, que angariou 56 votos na ocasião. O partido tinha propostas para se unir ao PDT ou ao Podemos, mas ambas foram derrotadas em votação. O Cidadania responderá por 20% da governança da federação.

Para o acordo final, a federação só poderá ter um candidato à Presidência. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), venceu as prévias tucanas, enquanto o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) é o nome cotado pela legenda para o Palácio do Planalto.

As duas pré-candidaturas estão mantidas até o momento e o “pacto de candidatura única” deve se delinear nos próximos meses. Ao GLOBO, Alessandro Vieira afirmou, à época da aprovação da federação, que é “contra qualquer federação sem regras adequadas”. Sobre a possibilidade de sair do partido caso a federação escolha o tucano, ele destacou:

— É muito prematuro. É preciso proteger os militantes e parlamentares lá da base, que serão impactados por uma federação verticalizada por quatro anos.