Valor Econômico, v. 22. n. 5425, 26/01/2022, Brasil, A9

Fundo se alinha a mercado e prevê estagnação no Brasil

Lucas de Vitta e Roberto Lameirinhas

 

O Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou significativamente sua previsão de crescimento para o Brasil neste ano, para apenas 0,3%, bem menos do que a estimativa de 1,5% feita em outubro.

Para 2023, o Fundo prevê que o Brasil crescerá 1,6%, 0,4 ponto percentual a menos do que a projeção de outubro. Os números constam do relatório Panorama Econômico Mundial (WEO, na sigla em inglês), apresentado ontem.

As estimativas do FMI estão em linha com previsões do mercado. No último Relatório Focus, divulgado anteontem pelo Banco Central, a mediana das projeções para o crescimento da economia em 2022 ficou em 0,29%. Para 2023, houve redução de 1,75% para 1,69%.

O relatório do FMI não especifica as causas para o rebaixamento da previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, mas, em linhas gerais, cita reflexos da alta inflação e o efeito do menor crescimento da China nas economias emergentes.

“A perspectiva [de crescimento limitado da China] enfraquece mais a da economia do Brasil - onde a luta contra a inflação levará a uma resposta mais forte da política monetária, que pesará no mercado interno”, diz o FMI. “Dinâmica semelhante ocorre no México, embora em menor escala.” 

O documento é o primeiro apresentado pelo FMI desde o anúncio de que fechará seu escritório em Brasília neste ano. A decisão se deu após o ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, ter feito duras críticas ao fundo, em razão do que qualifica de previsões excessivamente pessimistas para a economia do país. A entidade mantém representação no país há 23 anos.

Para América Latina e Caribe, o FMI prevê um crescimento de 2,4% e 2,6%, respectivamente, em 2022 e 2023. Em outubro previa que a região cresceria 3% neste ano e 2,5% no ano que vem.