Correio Braziliense, n. 22727, 11/06/2025. Economia, p. 9
Metais estratégicos pouco explorados
Apesar de ser o quinto maior produtor de minerais no mundo, o Brasil ainda carece de produção necessária de minerais críticos e estratégicos para impulsionar a indústria nacional. Com esse posicionamento, o presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Raul Jungmann, avalia que o país tem o potencial de ser um dos grandes players desse setor.
O ex-ministro da Defesa citou o potássio e o fosfato como exemplos de minerais que são pouco produzidos no país, apesar de serem necessários para a agricultura e outros setores. Na visão dele, o Brasil deve reduzir sua dependência de outros países, como a China — maior produtor de minerais no mundo —, para assegurar uma função de destaque na cadeia de suprimentos global. “Esses minerais são absolutamente fundamentais e estratégicos para a questão da ciência, inovação, tecnologia e defesa. Então, se você olhar, vai perceber que o mineral está no centro de absolutamente tudo e o Brasil tem um enorme potencial em termo de prover para o mundo”, disse Jungmann. Segundo ele, a China ainda detém grande parte das reservas e produção desses minerais, enquanto que, no Brasil, cerca de 70% do volume exportado corresponde a ferro.
Ele lembrou ainda a importância dos minerais críticos no processo de transição energética, com o objetivo de superar a questão climática. “Então, não tem transição, não tem saída para a emergência climática, que ameaça toda a humanidade, é preciso sempre lembrar isso, sendo os minerais críticos e estratégicos, que inclusive precisam ser muito mais produzidos”, acrescentou.
O economista e ex-senador Romero Jucá ressaltou que o Brasil não está aproveitando as oportunidades no campo do desenvolvimento e da economia.
“Nós somos um país de essência liberal, nós somos um país do livre empreendedorismo, nós somos um país de imprensa livre e, portanto, isso tudo tem que ser reforçado no modelo econômico que nós queremos”, disse o também ex-ministro.
Na visão de Jucá, o Brasil tem um “potencial enorme” não explorado no campo da mineração e em outras áreas, mas que ainda não é aproveitado. “Temos dificuldade nas concessões públicas, nós temos dificuldade no licenciamento ambiental, nós temos dificuldade na clareza legal das leis que precisam ser feitas, que não gerem a demanda jurídica, mas gerem a confiança do investimento”, acrescentou.
Para o ex-senador, a imprensa e a sociedade têm o papel de pautar as discussões do governo.
“Os governos são transitórios.
A sociedade e o Congresso são instituições permanentes, têm compromisso com a longevidade das ações sociais e econômicas da República desse país”, comentou ele, que elogiou a iniciativa do debate.
O vice-presidente institucional do Correio, André Lamounier, ressaltou que a mineração é um dos maiores motores da economia brasileira, mas pediu atenção aos impactos de mudanças na legislação, especialmente a reforma tributária. “Os números mostram a importância desse setor. Em 2023, as exportações atingiram a marca de US$ 48 bilhões, 25% de todas as vendas brasileiras. Esse desempenho consolida a mineração como um dos principais motores da nossa economia e da geração de divisas”, declarou Lamounier na abertura do evento.
O executivo também reconheceu que a reforma tributária, em fase de regulamentação, traz “impactos profundos” para a competitividade da mineração brasileira ante a concorrência internacional. Para ele, o momento é fazer uma “reflexão cuidadosa” sobre como conciliar desenvolvimento econômico, sustentabilidade e justiça fiscal. (RP e VC)