O GLOBO, n 32.357, 10/03/2022. Brasil, p. 09

Artistas pedem rejeição a projetos contra meio ambiente

Eduardo Gonçalves, Bruno Góes, Camila Zarur e Mariana Muniz


Câmara aprova urgência em proposta de liberar mineração em reservas

CRISTIANO MARIZ Encontro. A Caetano e a outros artistas, Pacheco (ao lado de Randolfe Rodrigues) prometeu “cautela” com projetos

Um grupo de 42 artistas, liderados por Caetano Veloso, fez um apelo ontem a ministros do Supremo Tribunal Federal e ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), para que não sejam aprovados projetos que ameacem o meio ambiente e os direitos dos indígenas.

No mesmo dia, o plenário da Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para a tramitação do projeto que libera a mineração, construção de hidrelétricas e plantação de transgênicos em terras indígenas. A medida pode ir à votação diretamente no plenário, sem passar pelas comissões.

Enquanto a Câmara discutia a urgência, os artistas participaram de um ato em frente ao Congresso Nacional. Antes das apresentações musicais do lado de fora do Legislativo, Caetano cantou “Terra” no salão negro do Congresso, no encontro com Pacheco.

—O Senado tem o poder e a responsabilidade de impedir mudanças legislativas irreversíveis que, cedendo a interesses localizados, empurram uma conta imensa à sociedade e comprometem o futuro do país —discursou Caetano.

Além de Caetano e sua mulher, a empresária Paula Lavigne, estavam no grupo os cantores Emicida, Criollo, Seu Jorge, Daniela Mercury e as atrizes Christiane Torloni, Mariana Ximenez, Alessandra Negrini.

— O país vive hoje sua maior encruzilhada ambiental desde a redemocratização. O desmatamento da Amazônia saiu do controle. A violência contra os indígenas e outros povos tradicionais aumentou, e as proteções sociais e ambientais construídas nos últimos quarenta anos vêm sendo solapadas. Nossa credibilidade internacional está arrasada. O prejuízo é de todos nós. Uma série de projeto de leis, ora em pauta neste Congresso Nacional, pode tornar essa situação ainda mais grave —disse Caetano.

Pacheco afirmou que o Senado tratará com todo o cuidado os projetos.

— Vamos tratar de maneira muito séria, muito franca, muito transparente, os temas versados — disse o presidente do Senado. 

Embora haja um grande apelo em relação a todos esses projetos, nenhum foi objeto de minha parte ou do colégio de líderes do Senado de um açodamento para se colocar no plenário do Senado Federal. Nós vamos ter toda a cautela.

Entusiasta do projeto cuja urgência foi aprovada, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), anunciou que será criado um grupo de 20 parlamentares — 13 da maioria e 7 da minoria — para discutir a proposta.

— O que nós precisávamos era de tempo. E não vamos ter isso. Vamos ver se os protestos comovem os colegas — afirmou o deputado Nilto Tatto (PT-SP), contrário ao projeto.

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