Correio Braziliense, n. 22728, 12/06/2025. política, p. 4

Ações para setor imobiliário

Samanta Sallum, Raphael Pati

 

A importância do setor imobiliário no crescimento ordenado do Distrito Federal, na geração de empregos e no recolhimento de impostos foi destaque na 2ª edição do Brasília Summit. Os participantes do painel apontaram a segurança jurídica e melhores condições de investimento, com taxas de juros menores, como fatores estratégicos para o setor.

O governador Ibaneis Rocha (MDB) ressaltou a contribuição da administração local para estimular o mercado imobiliário e da construção civil. “Para nós, essa atividade (construção civil) foi de gigante valia para que o Distrito Federal voltasse a crescer e de forma sustentável. E demos a nossa contribuição, reduzindo o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), que era 2%; o governo anterior aumentou para 3%. E nós diminuímos para 1%”, lembrou.

Ibaneis Rocha afirmou que o investimento em obras de infraestrutura passou de R$ 800 milhões em 2018 para R$ 12 bilhões em 2025. “Isso faz diferença na vida de quem vive em Brasília “, reforçou.

Os representantes do GDF ressaltaram os investimentos do BRB na carteira imobiliária. O crescimento foi de 1.293% em menos de sete anos. “Somos o sexto maior banco do país em concessão de crédito imobiliário e estamos perto de nos tornarmos o quinto. Em 2025, temos uma participação de 60,5% da produção de crédito imobiliário no DF até março”, afirmou o presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Costa.

Por sua vez, o presidente do Lide/DF, Paulo Octávio, reforçou a importância do crescimento urbano planejado para garantir qualidade de vida à população.

“Não podemos permitir as invasões nem o crescimento de favelas.

Brasília, que nasceu tão bem planejada, nem o Brasil, merecem isso”, salientou. “Temos um território enorme neste país. E precisamos ter uma politica que garanta moradia digna às pessoas”, alertou Paulo Octávio.

O presidente da Companhia Energética de Brasília (CEB), Edson Garcia, falou da atuação da empresa para que o setor imobiliário seja ambientalmente mais sustentável com uso de energia limpa. “Temos dois compromissos: a geração de energia limpa com as usinas de energia fotovoltaica; e o da substituição das lâmpadas com metais pesados, como mercúrio, pelas lâmpadas de LED. Temos Compromisso com a transição energética e com o processo de descarbonização”, afirmou.

O executivo defendeu mais incentivos para que a construção civil, os empreendimentos residenciais ou comerciais, sejam entregues com o selo de sustentabilidade.

“Temos construções, como o da Paulo Octavio, que já usam instalação fotovoltaica de energia solar para o uso da energia nas áreas comuns dos prédios. Isso reduz o custo do condomínio e o custo do prédio”, explicou.

Segundo ele, há um cálculo de 4 a 6% de mais valia nos empreendimentos ambientalmente sustentáveis e que os consumidores e os investidores estão dispostos a pagar mais isso. “E nós investimos nas usinas fotovoltaicas para fornecer energia para os prédios públicos também”, apontou.

Diálogo com governo O presidente da Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC), Renato Correia, comentou a questão tributária. Ele criticou a proposta do governo de tributar títulos de renda fixa em 5%, como a Letra de Crédito Imobiliário (LCI), destinado a auxiliar projetos no setor da construção civil. Para o executivo, além de aumentar impostos, a medida é inconstitucional.

Correia disse que tentou sensibilizar o ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Apesar das dificuldades fiscais do governo, ele defende o diálogo como solução.

“A gente conversa com todos os governos de plantão, seja de direita, de esquerda, de centro, porque nós temos que cumprir essa missão que é colocar habitação de qualidade para o povo, colocar infraestrutura para que a gente possa entregar tudo que tem para entregar”, destacou.

O presidente da CBIC elogiou a estrutura do programa Minha Casa Minha Vida, criado em 2009 para atender a população de baixa renda que planeja adquirir uma casa própria. Na visão de Correia, o MCMV é um “acerto” do governo federal e que deve ser continuado pelos próximos anos.

Ao comentar o deficit habitacional no país, ele ressaltou que há um deficit populacional de 6 a 7 milhões de moradias. Segundo ele, seria necessário R$ 1 trilhão para atender a toda essa demanda.

Correia lembrou que o direito à moradia está previsto na Constituição Federal. “A habitação é um direito social. Diferentemente da saúde e da educação, que são direitos sociais, a habitação não tem recursos garantidos no orçamento”, disse Correia.

Ao comentar o potencial econômico do Distrito Federal, o chairman do Lide e ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Luiz Fernando Furlan destacou as vocações da capital federal. “Brasília pode também investir no turismo, porque nós temos aqui obras monumentais que atraem as pessoas, além do que teve uma grande melhoria do aeroporto também, que hoje é um hub de distribuição para várias regiões do Brasil”, disse.

Co-anfitrião do evento, o presidente do Correio Braziliense, Guilherme Machado, destacou a importância de se discutir assuntos relevantes para a economia do país e do Distrito Federal, bem como o papel do Correio de informar seus leitores sobre temas estratégicos. “É um grande prazer essa parceria com o Lide”, afirmou.