Valor Econômico, v. 22. n. 5427, 28/01/2022, Brasil, A2
Emprego vai acompanhar estagnação, diz consultoria
Marsílea Gombata
A taxa de desemprego não deve variar muito neste ano em relação ao cenário do fim de 2021. Segundo análise da consultoria IDados, o nível de desemprego deve acompanhar a estagnação da economia em 2022, marcada pelo baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), efeitos do ciclo de alta dos juros, e inflação persistente.
O levantamento mostra que a taxa de desemprego deve encerrar 2021 em 11,4%, acelerar para 12,6% em março deste ano e começar a cair até alcançar o patamar de 11,2%, projetado para dezembro. Essa queda de 0,2 ponto percentual na comparação interanual deve ser puxada principalmente pela absorção de trabalhadores desempregados pelo mercado informal.
“O cenário de atividade econômica e de mercado de trabalho em 2022 é bastante incerto. Contribuem para essas incertezas os riscos de disseminação da variante ômicron, de piora do quadro fiscal, e de aumento dos gastos públicos com a proximidade das eleições”, ressalta a consultoria.
“Apesar da flutuação do desemprego ao longo do ano, decorrente dos efeitos sazonais, acreditamos que no fim deste ano estaremos com uma taxa de desemprego em patamar muito parecido ao que irá vigorar no fim de 2021. Isso é baseado nas expectativas do mercado para o crescimento do PIB em 2022”, afirma Bruno Ottoni, economista da IDados. “Como a previsão é que o PIB ficará estável e, em geral, quanto mais cresce o PIB, mais cai o desemprego, nossa projeção é que o desemprego ficará praticamente estável.”
Segundo a última edição do Boletim Focus, do Banco Central, mediana das projeções indica crescimento do PIB de 0,29% neste ano, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 5,15% e taxa de juros Selic de 11,75%.
Os efeitos dos juros altos e da inflação estão computados no quadro de atividade econômica fraca e, consequentemente, estagnação da taxa de desemprego. A taxa de juros alta tende a minar a atividade, a inflação reduz o poder de compra das famílias e acaba prejudicando o crescimento, diz Ottoni.
Os dados de desemprego referentes ao trimestre móvel terminado em novembro de 2021 serão conhecidos hoje na divulgação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo mediana de projeções de consultorias e instituições financeiras compiladas pelo Valor Data, a taxa de desemprego mensal deve chegar a 11,6%, ante 12,1% no trimestre móvel terminado em outubro.
A alta do desemprego no início de cada ano é esperada, diz o economista, dado o fim de contratações temporárias que ocorrem no fim do ano. A queda do desemprego deve ocorrer a partir de junho, via emprego informal, diz. “Com um ano fraco do ponto de vista da atividade, o ganho do emprego deve vir majoritariamente do setor informal”, argumenta.
Em 2021, a taxa de informalidade passou de 40,8% da população ocupada em janeiro para 42,3% em setembro, segundo o IBGE.
A perda de fôlego do emprego formal deve ser confirmada com a divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). A perspectiva é que em dezembro tenham sido fechadas 167.500 vagas, ante geração líquida de 324 mil vagas em novembro. A previsão é que o Ministério do Trabalho divulgue o resultado do Caged na segunda-feira.