O Globo, n 32.357, 10/03/2022. Política, p. 05
Pacheco desiste do Planalto: ''Inconciliável com Senado''
Dimitrius Dantas e Julia Lindner
Ele diz preferir se dedicar ao Congresso em vez da eleição; PSD quer filiar Leite
WALDEMIR BARRETO/3-11-2021Congresso. Pacheco está na metade do mandato e não irá às urnas em 2022
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, confirmou, em discurso da tribuna da Casa ontem à noite, que não será candidato à Presidência da República pelo PSD. A desistência da corrida presidencial já era esperada. Ele foi lançado ao Planalto pelo presidente do PSD, o ex-ministro Gilberto Kassab, no fim do ano passado, quando deixou o DEM.
Kassab espera concretizar nas próximas semanas a filiação do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, atualmente no PSDB, para ser o novo presidenciável do PSD.
Sem sair das últimas colocações nas pesquisas de intenção de voto, Pacheco já vinha cogitando pelo menos desde dezembro abrir mão da candidatura. Por isso, evitou fazer aparições públicas fora do cargo que ocupa atualmente ou dar entrevistas sobre o assunto.
Em seu discurso, Pacheco afirmou pretender se dedicar ao comando do Senado e do Congresso nesse ano eleitoral, o que inviabilizaria a disputa presidencial. Aliados avaliam que ele trabalhará para se reeleger no comando da Casa na próxima legislatura. O comunicado de Pacheco foi acompanhado de perto por Kassab, que também estava no plenário do Senado.
— Tenho que dedicar toda a minha energia a conduzir o Senado neste ano fundamental para a tão desejada recuperação e reconstrução do nosso país. O cargo que me foi confiado por meus pares está acima de qualquer interesse pessoal ou de qualquer ambição eleitoral — declarou Pacheco.
— Meus compromissos como presidente do Senado e com o país são urgentes, inadiáveis e não permitem qualquer espaço para vaidades. Por isso, afirmo ser impossível conciliar essa difícil missão de presidir o Senado com uma campanha presidencial.
A expectativa pela desistência de Pacheco alimentou neste início do ano especulação de que o PSD poderia abrir mão de ter candidato ao Planalto, e eventualmente fechar apoio à candidatura do ex-presidente Lula (PT), possibilidade que Kassab tem descartado. O chefe da legenda pretende lançar o nome de Eduardo Leite assim que o governador acertar sua filiação ao PSD.
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