O Globo, n 32.358, 11/03/2022. Política, p. 08
Em Minas, servidores pressionam Zema e ameaçam paralisações
Categorias de educação, segurança e saúde criticam proposta de reajuste
Três categorias do funcionalismo público mineiro pressionam o governador Romeu Zema (Novo) por reajustes salariais e ameaçam paralisações contra o pedido de adesão do estado ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF), que impediria futuras negociações por aumentos. No início do mês, Zema ofereceu 10% de reajuste a todos os servidores, o que foi considerado pouco pelos profissionais que acumulam perdas inflacionárias desde 2019.
A adesão ao RRF é uma das principais bandeiras levantadas ao longo do atual mandato por Zema, que disputará a reeleição. Na última campanha, o então candidato do Novo criticou gestões anteriores pela desorganização nas contas do estado, e prometeu buscar uma situação de equilíbrio.
Durante o governo, por sua vez, Zema foi alvo de críticas de seu próprio partido por concordar, em 2020, com um reajuste de 41,7% aos policiais em três parcelas. Neste ano, Zema recuou da promessa e condicionou o pagamento de recomposição salarial ao regime de recuperação fiscal.
Ontem, depois de uma decisão judicial que suspendeu a greve dos professores anunciada na quarta-feira, o sindicato da área de educação informou que vai recorrer da medida, além de anunciar nova assembleia. Na quarta, profissionais da segurança pública se reuniram no Centro de Belo Horizonte em um ato que registrou pessoas feridas por bombas arremessadas por manifestantes. Profissionais da saúde também avaliam uma paralisação.
De acordo com o sindicato, os profissionais de educação cobram reajustes equivalentes a 33,24%. O desembargador Raimundo Messias Junior, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais(TJ-MG),determinou a suspensão da greve, sob pena de multa diária no valor de R$ 100 mil.
Em paralelo, os profissionais que atuam nos hospitais públicos de Minas buscam autorização para uma greve, que já teve sinalização positiva no início de fevereiro por parte dos trabalhadores da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig). A Justiça mineira, mais uma vez, considerou o movimento ilegal, a pedido da Procuradoria Geral do Estado (PGE). Entre outros pontos, os trabalhadores exigem reposição salarial e suspensão da privatização do Hospital Regional João Penido, em Juiz de Fora, na Zona da Mata.
Em nota, o governo de Minas Gerais informou que reconhece a necessidade de reposição salarial. Segundo o governo, o estado se mantém aberto ao diálogo e em busca de uma solução, “mas com responsabilidade e previsibilidade fiscal”. E condiciona a recomposição dos salários à adesão ao regime de recuperação fiscal. O governo diz ainda que acompanha todas as manifestações dos servidores.
Ontem, Zema reagiu nas redes sociais às bombas e ruas interditadas durante manifestação de agentes de segurança pública em Belo Horizonte. Uma repórter da “TV Band Minas” sofreu um trauma auditivo causado pela explosão de um artefato atirado por manifestantes. Outro jornalista foi atingido de raspão por uma bomba. Os manifestantes ignoraram decisão judicial do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) que determinou que as forças de segurança não poderiam interditar ruas, bloquear o acesso a prédios públicos ou privados, além de portar armas de fogo durante o ato. Parlamentares e uma associação alinhada ao bolsonarismo encabeçam o movimento grevista.