O Globo, n 32.358, 11/03/2022. Economia, p. 15

Brasil cria 155,2 mil vagas de trabalho em janeiro

Gabriel Shinohara


Mercado desacelera, com geração de postos formais menor que no mesmo mês do ano passado, segundo dados do Caged

O Brasil gerou 155,2 mil vagas de trabalho com carteira assinada em janeiro, segundo números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho. No primeiro mês de 2022, o número de admissões foi de 1.777.646, enquanto os desligamentos somaram 1.622.468. Esses números mostram uma desaceleração de quase 39% na comparação com janeiro de 2021, quando 254,3 mil vagas foram criadas.

Com exceção de dezembro, que em geral é de retração no mercado de trabalho, o saldo de criação de empregos não ficava abaixo das 200 mil vagas mensais desde abril de 2021.

Patrícia Krause, economista-chefe da Coface para América Latina, avalia que 2022 será um ano mais difícil para o mercado de trabalho, pelo ambiente econômico de crescimento baixo, com inflação e juros em alta:

—Tem inflação pesada, taxa de juros afetando poder de compra da população. Isso deve prevalecer nos próximos meses e acabar tendo um reflexo no mercado de trabalho.

O secretário executivo do Ministério do Trabalho, Bruno Dalcolmo, disse que no início do ano passado a economia estava em recuperação, o que levou a saldos de geração de emprego maiores, e havia o Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda (BEm), que segurou o número de demissões:

— Aquelas foram dinâmicas muito particulares no momento de retomada do emprego em ambiente pós-Covid. E isso gerou, ao longo de todo o ano de 2021, saldos extremamente positivos de uma economia que se mostrava saudável e em processo de recuperação.

Ele destacou que em janeiro a variante Ômicron avançava pelo país, o que pode ter afetado a dinâmica do mercado.

O setor que mais contribuiu para a criação de vagas em janeiro foi o de serviços, com saldo positivo de 102 mil postos de trabalho, seguido da indústria geral, com 51,4 mil, e da construção, com 36,8 mil.

A agropecuária registrou saldo de 25 mil vagas criadas. Já comércio teve saldo negativo de 60 mil vagas no mês.

Joni Vargas, especialista da Zahl Investimentos, aponta que, apesar de uma desaceleração esperada na criação de empregos formais de cerca de 50% em relação a 2021, quando o Caged registrou saldo de 2,7 milhões, o número de 1,2 milhão de vagas é positivo. Segundo ele, o setor de serviços deve ser importante para o resultado no restante do ano.

— Acreditamos que neste ano de fato se encerra a pandemia. O setor de serviços não voltou 100% ainda, tem capacidade de contribuir mais com geração de postos de trabalho. Deve vir de serviços mesmo a maior parte de criação de novos postos formais —disse.

O salário médio de admissão foi de R$ 1.920,50.

39% Foi a redução em criação de vagas ante janeiro de 2021 Avanço da Ômicron no primeiro mês deste ano e economia menos aquecida pesaram.