Valor Econômico, v. 22. n. 5429, 01/02/2022, Política, A6

Cauteloso, Pacheco ignora especulações

Renan Truffi e Vandson Lima

 

De volta a Brasília para a abertura do ano legislativo, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), está decidido a não precipitar qualquer movimento em relação à sua pré-candidatura presidencial. Apesar das especulações em torno de uma possível desistência da parte dele, o mineiro só deve começar a tratar do assunto entre a segunda quinzena de fevereiro e o início de março, prazo que foi combinado com o presidente do PSD, Gilberto Kassab. Ainda assim, Pacheco já deixou claro para interlocutores que não vai embarcar numa “aventura” eleitoral.

As notícias sobre um eventual recuo de Pacheco começaram após o presidente do Senado ter ficado mais “recluso”. O suposto “sumiço” desencadeou, inclusive, novas ofensivas do PT, partido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que almeja selar uma aliança com a legenda de Kassab para as eleições. Apesar disso, segundo fontes próximas a Pacheco, a ausência dele do debate político tem relação com um período de 20 dias no qual se afastou para tratar de assuntos pessoais. Esse afastamento também já havia sido programado com seu partido, o PSD.

Isso não quer dizer que não o preocupe o atual cenário, em que as pré-candidaturas de terceira via enfrentam dificuldades para ganhar força. De acordo com pessoas próximas, a ideia dele é tomar uma decisão com base em pesquisas eleitorais e dados sobre intenção de voto. O presidente do Senado já avisou alguns colegas que só irá bancar a candidatura presidencial caso os levantamentos feitos junto ao eleitorado apontem que, de fato, há espaço para uma candidatura de terceira via, como alternativa à polarização entre Lula e o presidente Jair Bolsonaro. Ou seja, se Pacheco continuar tendo desempenho fraco nas pesquisas, não estaria descartado um recuo na ideia de lançar-se na disputa.

O último levantamento divulgado pelo Ipespe, encomendado pela XP Investimentos, mostrou, por exemplo, que Pacheco continua sendo lembrado por apenas 1% do eleitorado, ao lado de nomes como Simone Tebet (MDB-MS) e Alessandro Vieira (Cidadania-SE), que também são senadores e tentam ganhar espaço como candidatos de centro.

Nos bastidores, lideranças do Senado avaliam que Pacheco faz um cálculo político mais amplo ao ponderar se vai ou não se candidatar a presidente da República nas eleições de 2022. Hoje, apesar de críticas pontuais de alguns grupos da Casa, ele é amplamente favorito para a recondução no comando do Senado em 2023 - como será uma nova legislatura, ele pode disputar a reeleição.

Pacheco estaria ciente, contudo, que disputar o Planalto nas próximas eleições praticamente elimina qualquer chance de permanecer à frente do Senado. Seja quem for o próximo presidente - incluindo Bolsonaro, caso permaneça -, este possivelmente não irá querer um adversário nas urnas em outubro chefiando o Legislativo logo depois. Por isso, Pacheco estaria considerando se sua candidatura realmente terá força, pois poderia sair de uma reeleição certa para um resultado frustrante nas urnas. Neste caso, teria ainda que reconquistar um espaço de atuação no Senado.