Valor Econômico, v. 22. n. 5429, 01/02/2022, Empresas, B2

Ferrovia no Porto do Açu tem autorização

Gabriela Ruddy

 

O Ministério da Infraestrutura e o Porto do Açu assinaram na tarde de ontem o contrato de autorização para a construção da ferrovia que vai conectar o norte do Estado do Rio à malha nacional. Localizado em São João da Barra (RJ), no norte fluminense, a previsão é de R$ 610 milhões em investimentos para construção de um trecho ferroviário de 41 quilômetros.

A cerimônia contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro, do governador Cláudio Castro, do ministro de Minas e Energia Bento Albuquerque e do ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas, além de autoridades locais.

Essa foi a primeira autorização privada para construção de uma ferrovia no Estado e faz parte do Programa Pro Trilhos, do Ministério da Infraestrutura. A estimativa é que o projeto terá capacidade de escoar 16 milhões de toneladas, sendo 8 milhões de toneladas de grãos. “Esses números indicam o potencial adicional de contribuição do porto a setores estratégicos da economia nacional, inclusive o agronegócio, e a enorme oportunidade de desenvolvimento industrial a partir desses investimentos”, afirmou o presidente do Porto do Açu, José Firmo.

A ferrovia integra o projeto de conexão entre o Porto de Ubu, no Espírito Santo, e o Porto do Açu, no norte do Estado do Rio. O ex-secretário de transportes do Estado do Rio, Delmo Pinho, explica que posteriormente o projeto pode incluir também uma conexão até a Baixada Fluminense, o que viabilizaria a integração entre os Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e São Paulo.

“Juntos, os trechos podem permitir a chegada de granéis agrícolas do Oeste de Minas e do Leste de Goiás no Açu para exportação. No sentido contrário, permitem também levar a carga que chega no Açu em direção a essas regiões, principalmente de adubo químico, como hidrogênio, potássio e fósforo. Podem levar também ureia, que pode ser produzida no próprio porto”, apontou.

O empreendimento deve passar agora por trabalhos de detalhamento, para o início do processo de licenciamento ambiental. Pinho acredita que, caso não ocorram atrasos, as obras podem começar em até dois anos.

Além do projeto da ferrovia, durante a cerimônia de ontem, o presidente do Porto do Açu também entregou os estudos técnicos de engenharia necessários para a licitação das obras de ampliação das rodovias de acesso ao porto, orçados em R$ 396 milhões. A ampliação faz parte do pacote de investimentos em infraestrutura Pacto RJ, do governo do Estado.

O evento marcou também o lançamento das obras da usina térmica GNA II, segundo projeto de geração termelétrica no Açu. Com R$ 5 bilhões em investimentos, a usina terá 1.623 megawatts (MW) de capacidade e está prevista para começar a operar ao fim de 2024. A térmica faz parte do complexo de geração elétrica do porto, que já tem uma usina em operação desde setembro de 2021.

Depois da entrada em operação da segunda térmica, o complexo será o maior da América Latina em geração termelétrica, com capacidade instalada de 3 gigawatts (GW). Os projetos de geração são operados pela operada pela Gás Natural Açu (GNA), joint venture formada pela petroleira BP, Siemens, SPIC Brasil e pelo próprio Porto do Açu. As usinas são abastecidas por um navio regaseificador, o FSRU BW Magna, com capacidade de 28 milhões de metros cúbicos por dia (m3/dia) de gás.

De acordo com o presidente da GNA, Bernardo Perseke, a integração ferroviária também pode contribuir para que o porto se transforme em um hub de gás. “A ferrovia anunciada nos permite sonhar em colocar GNL [gás natural liquefeito] sobre trilhos. Os mesmos vagões que trarão grãos para o Porto do Açu poderiam retornar com GNL, fazendo com que o gás chegue aonde a malha de transportes ainda não chegou”, disse.