Correio Braziliense, n. 22730, 14/06/2025. Economia, p. 7

Ações do setor sobem, Ibovespa cai.

 

Em meio à valorização do petróleo no mercado internacional, as ações de empresas do setor foram o destaque positivo de ontem no Índice da Bolsa de Valores de São Paulo. Dos três maiores avanços no dia, dois vieram de petrolíferas, com a Petrorecôncavo (RECV3) liderando a fila, com alta de 2,71% e os papéis preferenciais da Petrobras (PETR4) na sequência, com 2,46%. Outras ações do setor também protagonizaram o pregão, com a Prio (PRIO3) fechando em alta de 1,76% e a Bravia subindo 1,51%, ao final do dia.

Pelo lado oposto, papéis como CVC (CVCB3) (-8,33%), Magazine Luiza (MGLU3) (-7,07%) e Usiminas (USIM3) (-5,92%) tiveram as maiores quedas diárias.

Nesse cenário, o Ibovespa/B3 encerrou esta sexta-feira 13 em queda de 0,43%, apesar de acumular valorização de 0,82% na semana. Enquanto isso, o dólar — que ficou estável durante todo o dia — terminou praticamente no zero a zero, com leve avanço de 0,01% ao final do pregão, sendo cotado a R$ 5,54. O Índice DXY, que mede a força da moeda norte-americana ante outras grandes divisas do mundo, terminou o dia em alta de 0,25%.

Para o especialista em investimentos da Nomad, Bruno Shahini, a volatilidade do dólar na sessão de ontem foi reflexo direto da crescente tensão geopolítica no Oriente Médio. “O aumento do risco geopolítico impulsionou globalmente a demanda por ativos de proteção, como ouro e dólar, e impactou diretamente o preço do petróleo devido à importância estratégica da região para a produção da commodity”, destaca.

Nesse cenário, a moeda americana chegou a superar R$ 5,59 diante do aumento das posições defensivas, embora tenha perdido força ao longo do dia e encerrou próximo à estabilidade. “Após uma semana marcada por dados favoráveis de inflação nos EUA, que levaram o mercado a antecipar o início do ciclo de flexibilização monetária pelo Fed, o foco dos investidores agora retorna ao cenário externo, caracterizado pelo aumento da aversão ao risco e pelo temor de uma escalada militar mais ampla, fatores estes que podem manter o dólar fortalecido na próxima semana”, acrescentou.

Além da definição dos juros nos Estados Unidos, o mercado vai acompanhar a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC). Os agentes ainda estão divididos entre uma manutenção da taxa Selic atual, em 14,75% ao ano, ou uma elevação para 15% já nesta reunião.

Enquanto isso, no cenário político, pode haver definições em relação às medidas econômicas enviadas pelo governo ao Congresso para compensar o decreto anterior, que previa aumento das alíquotas do Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).

As medidas não foram bem recebidas nem pelo setor produtivo nem pelo financeiro, que pressionam pela derrubada das medidas. Na Câmara, o presidente Hugo Motta deve colocar em votação um decreto legislativo para derrubar o decreto do Executivo do IOF. No Senado, o presidente Davi Alcolumbre (União-AP) é pressionado para devolver a Medida Provisória 1.303/2025, que estabelece novas medidas para o cenário fiscal no Brasil. (RP)