Valor Econômico, v. 22. n. 5430, 02/02/2022, Política, A8

Bolsonaro promete ajuda a cidades afetadas por chuvas

Por Ricardo Mendonça

 

Um mês após ter sido severamente criticado por manter a programação de férias e não visitar áreas afetadas pelas cheias na Bahia, o presidente Jair Bolsonaro adotou uma nova postura e resolveu sobrevoar municípios da Grande São Paulo castigadas pelas fortes chuvas dos últimos dias. Ele sobrevoou regiões atingidas e disse que fará “o possível” para atender às necessidades apontadas por prefeitos.

Em entrevista coletiva promovida ontem no município de Francisco Morato, Bolsonaro e o ministro Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional) acenaram com a promessa de linhas de financiamento para obras estruturantes. Nem ele nem o presidente mencionaram valores.

Marinho deixou claro, porém, que o governo não irá atender a um pedido de liberação de R$ 471,8 milhões solicitados na segunda-feira pelo governo do Estado de São Paulo para o atendimento dos municípios afetados.

Em ofício encaminhado ao governo, a administração estadual pediu R$ 50 milhões para ações urgentes em 12 municípios paulistas afetados pelas chuvas, R$ 321,8 milhões para investir em políticas antienchente e mais R$ 100 milhões para reservatórios.

Ao negar a liberação, Marinho afirmou que os pedidos não estão associados a necessidades emergenciais, mas a obras de contenção. E sugeriu que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), provável concorrente de Bolsonaro na eleição presidencial, fez os pedidos mesmo sabendo de sua inviabilidade.

“Quanto ao pedido do governador, ele sabe de que forma deve fazer essa solicitação. Não é à Defesa Civil e não é dessa forma. Ele tem que endereçar ao Orçamento Geral da União, e essa discussão se dá no ano que antecede a aplicação do orçamento. Eu tenho certeza que o governador tem essa informação”, disse.

Nos últimos dias, chuvas provocaram deslizamentos em vários pontos do Estado, destruíram casas e deixaram 24 mortos.

Bolsonaro abriu a entrevista com um rápido pronunciamento. Ele lamentou as mortes e afirmou que mobilizou ministros logo após tomar conhecimento dos problemas. Mais adiante, afirmou que faltou “visão de futuro” de quem construiu em áreas de risco. Completou lembrando que muitos foram morar nesses locais por necessidade.

Também participaram da entrevista os ministros João Roma (Cidadania) e Tarcísio de Freitas (Infraestrutura), cotado como possível candidato de Bolsonaro a governador de São Paulo.

Em dezembro, quando milhares ficaram desabrigados em municípios baianos afetados pelas cheias, Bolsonaro passava férias em Santa Catarina. Ele optou por não interromper o descanso. Suas aparições em parques temáticos e passeios de jet sky suscitaram críticas nas redes sociais.