Valor Econômico, v. 22. n. 5430, 02/02/2022, Empresas, B6
Minério em alta e câmbio puxam receita do setor mineral
Cibelle Bouças
O setor mineral brasileiro encerrou 2021 com faturamento de R$ 339 bilhões, alta de 62% em relação ao ano anterior. A produção teve crescimento bem menor, de 7%, para 1,15 bilhão de toneladas. Já para 2022 a previsão é de um desempenho similar ao do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).
O presidente do conselho diretor do Ibram, Wilson Brumer, afirmou que o crescimento em valor foi resultado do enfraquecimento do real em relação ao dólar e da alta no preço médio do minério de ferro, principal produto mineral exportado, que no ano subiu 47,5%. Houve aumento no preço médio de todas as commodities, com destaque para cobre (51,9%), alumínio (45,4%) e estanho (92,9%).
As exportações do setor cresceram 58,6%, para US$ 58 bilhões em 2021. Em volume, houve incremento de 0,4%, para 372,5 milhões de toneladas.
Para 2022, a expectativa do Ibram é de um desempenho semelhante ao do ano passado. “O preço do minério de ferro caiu no segundo semestre de 2021, mas se recuperou um pouco. Fechou janeiro a US$ 140 a tonelada. O câmbio deve permanecer na casa de R$ 5 a R$ 5,30. O desempenho deve ser parecido com 2021 neste ano”, afirmou Brumer. Em 2021 o dólar ficou entre R$ 5,40 e R$ 5,60.
Brumer acrescentou que as mineradoras de Minas Gerais devem recuperar o impacto da paralisação de algumas unidades em janeiro, por causa das chuvas recordes. “Os impactos que vemos hoje são recuperáveis. Mas não pode demorar muito tempo para voltar à normalidade”, observou Brumer. Ele ponderou que as mineradoras operam com estoques de segurança e compensaram a paralisação com esse volume já produzido.
Devido ao desempenho forte nas vendas, o setor teve arrecadação recorde de tributos em 2021, totalizando R$ 117 bilhões, com aumento de 62,3% em relação a 2020. O recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM), considerado o royalty do setor, teve aumento de 69,2%, para R$ 10,29 bilhões.
Ainda de acordo com o Ibram, o setor mineral investirá US$ 41,3 bilhões no período de 2021 a 2025. Desse valor, US$ 6 bilhões serão de investimentos em projetos socioambientais. Os outros US$ 35,3 bilhões serão investidos em produção e infraestrutura. No período de 2020 a 2024 os investimentos estimados eram de US$ 38 bilhões.
O diretor-presidente do Ibram, Flávio Ottoni Penido, afirmou que dos investimentos previstos, US$ 19,41 bilhões já estão em execução. Os outros US$ 21,95 bilhões são de investimentos programados. Do valor total, 25% (US$ 10,18 bilhões) serão aplicados em Minas Gerais. Outros US$ 7,30 bilhões estão destinados a projetos no Pará. Na Bahia, os investimentos previstos somam US$ 7,34 bilhões.
“Muito pouco do território brasileiro é conhecido. Acredito que com o fortalecimento da Agência Nacional de Mineração e do serviço geológico temos condição de crescer mais e trazer mais investimentos para o setor”, afirmou Penido. O executivo disse ainda que o setor prevê investir US$ 18 bilhões de 2022 até 2030 em projetos de governança e sustentabilidade socioambiental, ou ESG, na sigla em inglês.