O Globo, n 32.358, 11/03/2022. Política, p. 08

Romário rejeita convite de Paes para entrar no PSD

Gabriel Sabóia


Pré-candidato a reeleição, senador decide ficar no PL com base na garantia de dirigentes de que poderá tentar novo mandato

Pré-candidato à reeleição ao Senado pelo PL, Romário rejeitou um convite do prefeito do Rio, Eduardo Paes, para se candidatar pelo PSD. De acordo com pessoas próximas ao senador, ele optou por seguir no PL, partido no qual teria a promessa de tentar a vaga por mais oito anos. Por ser do mesmo partido do governador Cláudio Castro, o ex-jogador poderia congestionar a coligação, que precisaria dispor do cargo para angariar apoios de partidos que pretendem compor a aliança.

No entanto, Romário teria recebido a garantia de que terá legenda para se candidatar novamente ao Congresso. O compromisso, segundo interlocutores, foi firmado pelo presidente do partido, Valdemar da Costa Neto, e pelo presidente do diretório estadual do PL, Altineu Côrtes. O senador deixou o Podemos e se filiou ao PL em março do ano passado, antes mesmo de

Castro e do presidente Jair Bolsonaro aportarem na legenda. A interlocutores, ele descarta a possibilidade de se candidatar à Câmara novamente. Romário foi deputado entre 2011 e 2014.

Diante da garantia dada pelos caciques do PL, ele agradeceu o convite feito por Paes. O prefeito visava mais do que o possível sucesso nas urnas: em função da popularidade, Romário era visto como uma figura ideal para peregrinar o estado ao lado do ex-presidente da Ordem dos Advogados

do Brasil Felipe Santa Cruz, que deve encabeçar a chapa ao governo. Caberia a ele apresentar o candidato e atrair público para os atos e caminhadas. Apesar do convite, Paes também acenou com a possibilidade dele ser candidato a deputado, o que foi prontamente descartado.

IDAS E VINDAS

Em 2020, a despeito do apoio formal do Podemos à reeleição do então prefeito do Rio, Marcelo Crivella, Romário, à época na legenda, fez campanha para Paes. Dois anos antes, no entanto, o senador e o atual prefeito da capital foram adversários na disputa pelo governo do estado — e ambos foram derrotados por Wilson Witzel, que depois sofreu impeachment.