O Globo, n 32.359, 12/03/2022. Política, p. 06
WhatsApp suspende grupos de apoio a Lula
Aplicativo de mensagens não comentou bloqueios. PT nega que contas tenham violado regras e feito disparos em massa
A assessoria do PT informou ontem que o aplicativo de mensagens WhatsApp — empresa pertencente à Meta, controladora do Facebook — suspendeu grupos criados pela comunicação da sigla. As páginas para reunir apoiadores foram criadas na última segunda-feira com o objetivo de fazer a divulgação dos atos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pré-candidato à Presidência da República. Segundo a assessoria do ex-presidente, o aplicativo agiu de maneira preventiva e automática, e suspendeu na noite de anteontem, de forma temporária, o funcionamento de alguns telefones de administradores, após observar o aumento no tráfego de mensagens. O GLOBO apurou que, de um total de 19 grupos, a suspensão teria atingido pelo menos quatro. Procurado para explicar os motivos dos bloqueios, o WhatsApp afirmou que “não comenta casos específicos” e que “existem vários motivos que levam à suspensão ou banimento de contas”. Em suas políticas de uso, a plataforma proíbe, por exemplo, serviços de automação para disparos em massa.
O PT negou qualquer violação das regras de uso dos aplicativos, inclusive o utilização de automação para envio de mensagens, e afirmou que aguarda o restabelecimento dos grupos alcançados pela suspensão automática. “Já foi esclarecido que não há uso de automação ou qualquer tipo de violação de normas. Nenhum outro grupo foi suspenso depois dos esclarecimentos prestados e aguardamos o restabelecimento dos grupos que foram alcançados pela suspensão automática”, informou a assessoria de Lula, por meio de nota. Para turbinar o alcance digital de Lula, a assessoria do PT lançou um portal, batizado de LulaVerso, com acesso a conteúdo do ex-presidente no WhatsApp, Twitter, Telegram, Instagram e TikTok.
A página permite ao usuário usar memes e figurinhas do petista para compartilhar nas redes sociais e conta com grupos abertos, em que todos os participantes podem enviar mensagens, e fechados, nos quais apenas as mensagens dos administradores são repassadas. Os links para acesso aos grupos de WhatsApp e Telegram são disponibilizados publicamente. A estratégia também tem sido adotada por outros pré-candidatos a presidente que buscam aproximar sua comunicação nas redes com o público jovem.
Não é a primeira vez que contas vinculadas ao partido são alvos de ações de suspensão do WhatsApp. Em julho de 2020, a legenda divulgou que dez contas de distribuição de mensagens que compunham o chamado “Zap do PT” haviam sido derrubadas sem explicações. Em nota na época, o WhatsApp respondeu que as contas haviam sido suspensas por “disparos massivos”.
REGRAS ELEITORAIS
Uma resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aprovada em dezembro do ano passado, proíbe, no contexto eleitoral, o disparo em massa de mensagens em aplicativos de comunicação instantânea, como WhatsApp e Telegram, para pessoas que não se inscreveram para recebê-las. A resolução veda ainda disparos a partir da contratação de tecnologias ou serviços não fornecidos pela plataforma e em desacordo com os seus termos de uso. Também no ano passado, no julgamento em que arquivou o pedido de cassação da chapa do presidente Jair Bolsonaro em 2018, a Corte fixou a tese de que disparos em massa com desinformação podem configurar abuso de poder em eleições e até gerar cassação do registro de candidatura.