O Globo, n 32.359, 12/03/2022. Política, p. 06

Alckmin é criticado em documento para campanha de Haddad em SP

Guilherme Caetano


Elaborado por fundação ligada ao PT, texto mira políticas de gestões tucanas

Um documento elaborado na Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, faz críticas às gestões do ex-governador Geraldo Alckmin, em meio às tratativas para que o ex-tucano seja vice na chapa de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela Presidência. Chamado de “Diretrizes e ideias para um plano de recuperação e transformação do estado de São Paulo”, o texto elaborado por intelectuais, especialistas e ex-mandatários do partido visa contribuir para o programa de governo de Fernando Haddad ao governo do estado. O documento foi revelado pelo jornal “Folha de S.Paulo” e confirmado pelo GLOBO.

Um trecho diz que as gestões tucanas adotaram políticas neoliberais que ampliaram as desigualdades, a concentração de renda e sucatearam os serviços públicos no estado. “O neoliberalismo aplicado em São Paulo não se materializa apenas no ajuste fiscal, os sucessivos governos do PSDB avançaram numa agressiva política de transferência de patrimônio público à iniciativa privada por meio de privatizações e concessões, além de avançarem em uma agenda própria de reformas no Estado”, afirma o documento.

Alckmin, que governou São Paulo em quatro oportunidades num partido que está no comando desde 1995, é citado duas vezes, associado a privatizações e renúncia fiscal do estado. Já o PSDB é mencionado, entre outras coisas, como tendo “capitaneado o conservadorismo paulista” e trilhado caminho distinto do PT, que, segundo o documento, manteve-se “fiel ao seu ideário de transformação da sociedade”. Um dos coordenadores do documento, o ex-prefeito de Piracicaba José Machado afirmou ao GLOBO que “o texto não foi elaborado para ter essa repercussão pública” e que foi gerado após vários debates internos para subsidiar as diretrizes do PT para um programa de governo no estado. Segundo ele, a fundação “não tem a responsabilidade de se posicionar sobre políticas de alianças”:

—Seria muito desrespeitoso e desonesto, do ponto de vista intelectual, ignorar que o PT foi oposição ao PSDB durante todo esse tempo. No texto, fazemos um balanço desses 30 anos de oposição. Negar isso seria oportunismo. Machado afirma que, apesar das críticas, os elaboradores do documento concordam que uma aliança com Alckmin é necessária para derrotar o presidente Jair Bolsonaro no pleito.

ENCONTRO COM O PV

Alckmin se reuniu ontem com a cúpula do PV em São Paulo, depois de praticamente selar sua ida para o PSB na última segunda-feira. O vazamento da reunião com os pessebistas antes de seu fim deixou Alckmin incomodado. Acostumado a ser discreto em seus movimentos, o exgovernador também não gostou da declaração do presidente do PSB, Carlos Siqueira, de que faltava só marcar a data de filiação para o seu ingresso na sigla.