O Globo, n 32.360, 13/03/2022. Economia, p. 17

Passageiro pagará mais pelo bilhete e terá menos opções de voos



Na montanha-russa que virou a economia mundial, o setor aéreo é o primeiro carrinho e sente antes quedas bruscas, diz o presidente da Latam Brasil, Jerome Cadier. A alta dos preços de combustíveis já trouxe inevitáveis aumento das passagens aéreas e redução da oferta de voos, uma vez que o querosene de aviação (QAV) é o principal custo das linhas aéreas. Em entrevista ao GLOBO, Cadier diz que a situação obriga as companhias a repensarem estratégias e reverem a malha e seus preços em tempo real para manter alguma margem.

O cenário deixa o setor mais longe da recuperação. Mesmo com contratos de fornecimento de combustível de longo prazo, as companhias aéreas têm reajustes frequentes de preço que acompanham a cotação internacional, diz Cadier.

—Os contratos de fornecimento de combustível têm cláusulas que estipulam reajuste de acordo com o preço internacional, que não é diário, mas demora uma semana, duas semanas, três e, no máximo, quatro de frequência —explica. Outro problema é que os assentos são vendidos muito antes dos voos:

—Existe um descasamento. Minha subida de preço é mais rápida do que a capacidade de subir a receita — afirma o executivo.

O setor convenceu o governo a contemplar o QAV no pacote que concede desoneração das alíquotas de PIS/Cofins sobre compra e importação de combustível. Na noite de sexta-feira, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o texto. —Brigamos para que não se converse só de diesel e gasolina, independentemente da solução que se adote para mitigar a alta —diz Cadier. (Ivan Martínez-Vargas)