O Globo, n 32.361, 14/03/2022. Mundo, p. 21
Negociador russo fala em “progressos” nas conversas
Representantes do governo ucraniano apontam possibilidade de que resultados sejam alcançados “em questão de dias'
Um representante russo nas negociações com a Ucrânia disse ontem que as duas partes fizeram progressos significativos e que é possível que as delegações possam chegar em breve a uma “posição conjunta”, segundo a agência de notícias russa RIA. Já o negociador ucraniano e conselheiro presidencial Mykhailo Podolyak afirmou que resultados podem ser alcançados em dias.
— Não vamos ceder em princípio em nenhuma posição. A Rússia agora entende isso. Acho que vamos alcançar alguns resultados literalmente em questão de dias — disse Podolyak em um vídeo postado on-line.
O representante russo Leonid Slutsky, chefe da Comissão de Assuntos Internacionais da Duma, a câmara baixa do Parlamento russo, foi citado pela RIA afirmando que o estado das negociações é melhor do que quando elas começaram e houve“progresso substancial ”.
— De acordo com minhas expectativas pessoais, esse progresso pode crescer nos próximos dias para uma posição conjunta de ambas as delegações, em documentos para assinatura —disse Slutsky.
Apesar de nenhum dos dois lados ter indicado qual seria o escopo de um eventual acordo, as declarações, que foram feitas ao mesmo tempo, são os balanços mais otimistas até agora das negociações, que ocorrem em paralelo à guerra.
RECADO À CHINA
Ontem, a subsecretária de Estado dos Estados Unidos, Wendy Sherman, afirmou ao programa Fox News Sunday que a Rússia está mostrando sinais de boa vontade para se engajar em negociações substanciais sobre a Ucrânia, apesar de apontar uma intenção de Moscou de" destruir" o país vizinho. À CNN, o conselheiro de Segurança Bacional da Casa Branca, Jake Sullivan, ecoou a alarmante avaliação sobre as intenções de Putin:
— Como as coisas estão agora, Vladimir Putin não parece estar preparado para parar o ataque.
Hoje, Sullivan se reunirá em Roma com o responsável por diplomata do PC chinês, Yang Jiechi, disse a Casa Branca. O governo americano alertou as autoridades chinesas que Pequim enfrentará “consequências” se ajudar a Rússia a contornar as sanções ocidentais. Fontes de Washington disseram que Moscou teria pedido ajuda militar à China para reforçar sua ofensiva.
Pequim não condena diretamente a Rússia pela invasão da Ucrânia e culpa a expansão da Otan pelo agravamento das tensões entre Kiev e Moscou. Ao mesmo tempo, tem insistido na necessidade de uma saída negociada para a guerra.