Valor Econômico, v. 23. n. 5663, 06/01/2023, Agronegócios, B6
Governo anterior remanejou recursos do Plano Safra no fim do mandato 
Rafael Walendorff, Valor 

 

A equipe econômica do governo de Jair Bolsonaro fez dois remanejamentos nos limites equalizáveis do Plano Safra 2022/23 no penúltimo dia do ano passado. Entraram na lista de mudanças os saldos de linhas de custeio e investimentos para a agricultura familiar no Banco do Brasil, do custeio para pequenos e médios produtores no Banrisul e de programas para compra de máquinas e caminhonetes, ABC+ e outras aplicações no Sicredi. 

Com os remanejamentos, o limite total de recursos equalizáveis da safra 2022/23 oscilou levemente para cima, chegando a R$ 106,7 bilhões. O volume inicial, anunciado em junho do ano passado, era de R$ 115,8 bilhões para as linhas de custeio, investimento e comercialização em 11 instituições financeiras. No entanto, ele caiu depois disso e, antes das últimas alterações, o saldo estava em R$ 106,5 bilhões.

Uma das alterações reduziu em R$ 1,5 bilhão os limites de linhas de custeio e investimentos do Pronaf faixa 1, que tem os menores juros, de 5%, e remanejou R$ 1,7 bilhão para as mesmas finalidades na categoria Pronaf faixa 2, que tem taxas de 6% ao ano. 

O outro despacho do Tesouro Nacional, com vigência a partir de 1º de janeiro deste ano, retirou R$ 250 milhões do limite equalizável para a linha de custeio do Pronaf faixa 2 do Banrisul, que tem juros de 6% ao ano. Parte do dinheiro foi realocada para a faixa 1 do Pronaf no banco, com juros de 5%, e R$ 100,4 milhões abasteceram a linha de custeio do Pronamp, para a qual a instituição não tinha saldo para equalização até então. 

Também houve mudança nas linhas do Sicredi. Ao todo, foram reduzidos R$ 97,8 milhões em linhas de investimentos, como Pronamp, ABC+ e para compra de tratores e colheitadeiras, de caminhonetes de carga e motocicletas e de matrizes e reprodutores do Pronaf. O recurso foi realocado para turbinar a linha de custeio dos médios produtores, cuja demanda está alta. Ao todo, a modalidade recebeu mais R$ 106,6 milhões de limite equalizável, totalizando quase R$ 4 bilhões na temporada na cooperativa de crédito.