O Globo, n 32.362, 15/03/2022. Política, p. 10
PP rompe aliança com o PT na Bahia e acena a ACM Neto
Camila Zarur
Decisão foi tomada após petistas anunciarem pré-candidato à sucessão de Rui Costa
Após uma série de desentendimentos na formação da chapa para a próxima eleição, o PP formalizou ontem o rompimento da aliança de 14 anos com o PT na Bahia. A decisão foi tomada após os petistas anunciarem o nome do secretário estadual de Educação, Jerônimo Rodrigues, como pré-candidato do partido à sucessão do governador Rui Costa (PT).
De acordo com o vice governador do estado, João Leão, presidente do diretório local do PP, a legenda foi excluída das articulações. O dirigente tinha a expectativa de assumir o governo a partir de abril, com a saída de Costa para concorrer ao Senado. Como a nova equação prevê que o governador cumpra o mandato até o fim, criou-se o impasse.
“Além de considerar inaceitável a quebra do acordo, a indelicada comunicação da decisão pela imprensa causou uma imensa decepção e a constatação de que o PP não era mais desejado e não tinha espaço na aliança que nos trouxe até aqui”, afirmou o PP, em nota.
Com a quebra da aliança, filiados do PP entregaram os cargos no governo. Leão seguirá vice, mas pediu exoneração da Secretária estadual do Planejamento. O mesmo foi feito pelos secretários Nelson Leal, do Desenvolvimento Econômico, e Leonardo Góes, de Infraestrutura Hídrica e Saneamento.
—Quero ressaltar que nos 14 anos de aliança com os governos do PT, jamais faltaram da nossa parte lealdade, dedicação, apoio parlamentar e espírito público. Após amplo debate e consultas às lideranças progressistas, decidimos, por unanimidade, nos afastarmos da aliança atual e buscarmos outros caminhos, nos quais possamos continuar trabalhando pelo povo baiano —disse Leão.
Há dois caminhos disponíveis: a candidatura própria ou o apoio ao ex-prefeito ACM Neto (União Brasil), adversário do PT na Bahia. O movimento de saída foi insuflado pela direção nacional do PP — Leão e o ministro Ciro Nogueira (Casa Civil) se reuniram na semana passada em Brasília. A nova configuração do cenário eleitoral do estado pode facilitar a construção de um palanque para o presidente Jair Bolsonaro.
TROCA-TROCA
Hoje, o ministro da Cidadania, João Roma (Republicanos), tenta ser o candidato ao governo baiano que terá o apoio de Bolsonaro. No entanto, o próprio partido de Roma avalia que será melhor que ele concorra ao Senado. Nesse sentido, há conversas para que o presidente endosse a campanha de ACM Neto, de quem João Leão vem se aproximando.
A aliança do PT com PP na Bahia começou a desandar com o anúncio, no fim do mês passado, da retirada da candidatura do senador petista Jaques Wagner ao governo estadual, o que já tinha sido acertado por ambos os partidos. A ideia de Wagner era apoiar a candidatura ao estado de Otto Alencar (PSD-BA). Nesta configuração, Rui Costa tentaria uma vaga ao Senado, abrindo a possibilidade de Leão assumir o restante do mandato, mas o também senador decidiu buscar a reeleição no Legislativo, por avaliar que seria mais viável. Porém, a decisão de o PT de optar por um novo quadro para a briga pelo governo da Bahia, frustrou as expectativas dos progressistas.