Correio Braziliense, n. 22737, 21/06/2025. Política, p. 5

Ameaça de greve para tirar Corrêa

Danandra Rocha


Os servidores da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) divulgaram nota, ontem, convocando uma assembleia na segunda-feira. Durante a reunião, será discutida a cobrança de afastamento do diretor-geral da entidade, Luiz Fernando Corrêa. A categoria também debate a possibilidade de decretar greve para pressionar a saída do atual diretor. A Abin diz que colabora com as investigações.

Na última terça-feira, os servidores já tinham pedido a demissão de Corrêa. Ele é suspeito de prejudicar as investigações sobre o aparelhamento do serviço de inteligência brasileiro para fins políticos pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Corrêa, que foi mantido na posição de diretor-geral pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, está entre os 35 indiciados pela Polícia Federal (PF) no relatório final da investigação sobre a Abin Paralela, uma estrutura que teria sido usada por Bolsonaro para espionar ilegalmente seus opositores políticos e atacar as urnas eletrônicas. Ele pode ter agido em “conluio” com servidores investigados para dificultar apurações.

Na nota divulgada ontem, a Intelis (União dos Profissionais de Inteligência de Estado da Abin) demonstra descontentamento com a manutenção do diretor-geral indiciado no cargo e cita “ausência de diálogo e de ações do ministro da Casa Civil [Rui Costa] com os servidores”. Os servidores devem deliberar “sobre indicativo de greve em protesto ao tratamento dispensado pelo governo federal à Inteligência de Estado do Brasil”.

Em relatório produzido pela PF, o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) é citado como o “idealizador” de uma estrutura de espionagem ilegal criada durante o governo de seu pai. O esquema teria espionado quase 1,8 mil celulares no governo Bolsonaro e, entre os alvos, estavam servidores públicos, ministros, jornalistas, artistas e deputados.

Outro que foi indiciado é o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que presidiu a Abin no tempo em que o esquema paralelo foi erguido e que já está envolvido nas investigações, do Supremo Tribunal Federal (STF), da trama golpista depois das eleições presidenciais de 2022. Ele teria dado o sinal verde para as investigações irregulares.