O Globo, n 32.361, 14/03/2022. Economia, p. 12

Aprender sobre finanças em redes sociais exige cuidado



Pessoas com menos de 25 anos que começam a investir precisam buscar informação de qualidade, alertam especialistas

Os jovens investidores que estão na Bolsa de Valores brasileira e fazem parte da chamada Geração Z são os que menos têm conhecimento sobre os produtos financeiros, segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).

— A falta de informações sobre o mercado acionário nessa idade é natural. Esses jovens começaram a trabalhar recentemente, e são poucos os que pensam em investimentos nessa etapa da vida — diz Marcelo Billi, superintendente de Comunicação, Certificação e Educação de investidores da Anbima.

Como nem todas as respostas estão no Tik Tok, o jeito é buscar também outros canais.

— Principalmente nessa idade, é mais inteligente buscar ajuda profissional de quem já trabalha no mercado financeiro. Mas se quiser continuar consumindo conteúdo nas redes sociais, pelo menos que acompanhe influenciadores certificados pelo Banco Central. Hoje já existem alguns cujo conteúdo a autoridade reconhece, e esse cuidado é importante — recomenda Pedro Guimarães, presidente da fintech de educação financeira Fiduc.

Setores que são menos suscetíveis a sofrer com a volatilidade do mercado e dos ciclos econômicos, independentemente de crise, são as melhores opções para quem quer ingressar no mercado acionário. Energia, bancos e saneamento básico foram os mais citados pelos especialistas.

CARTEIRA SOB MEDIDA

A montagem da carteira deve levar em consideração o perfil e as metas do investidor, independentemente da idade. Por exemplo, se o objetivo for rentabilidade a curto prazo para fazer uma viagem ou uma compra grande, o recomendado pelos profissionais é investir em renda fixa, no caso de quem tem uma postura mais conservadora. Os arrojados podem até ficar na renda fixa, mas com fundos de investimento mais sofisticados.

—Proteger-se do inesperado é mais do que necessário. Por isso, não escolher só uma classe de ativos em detrimento de outro é uma decisão inteligente. É preciso, antes de tudo, diversificar —diz Guimarães.

Para ele, uma carteira com bom desempenho durante anos ou décadas precisa ter várias classes de ativos:

— Começar na renda fixa, passar por crédito privado, depois ir para multimercados, ações e fundos internacionais. Todas essas classes vão garantir lucro em diferentes momentos, enquanto o dinheiro estiver aplicado.

E para quem pensa em viajar para o exterior a curto ou médio prazo, por exemplo, os fundos cambiais podem turbinar os investimentos.

— Eles protegem o seu dinheiro das oscilações cambiais. Para quem sonha com um intercâmbio, por exemplo, é uma sugestão a ser considerada, porque o investidor ganha exatamente o quanto o real oscila em relação à moeda —sugere o presidente da Fiduc.

O cuidado com as informações sobre o mercado financeiro é outra recomendação de analistas aos jovens investidores: é preciso questionar o que está sendo dito em canais de redes sociais, e não apenas replicar o que foi dito.