Valor Econômico, v. 23. n. 5667, 12/01/2023, Agronegócios, B5
Mercado de agrotóxicos continua em expansão no Brasil
Rafael Walendorff
O segmento de agrotóxicos continua em expansão no Brasil, impulsionado pelo crescimento da área de plantio nos últimos anos. Um relatório do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) mostra que a comercialização de ingredientes ativos de produtos formulados (pesticidas que chegam aos produtores), tanto de químicos quanto de biológicos, somou 720,8 mil toneladas em 2021, o que representou um aumento de 5,03% em relação ao ano anterior, quando as vendas foram de 686,35 mil toneladas.
Os herbicidas Glifosato e 2,4-D continuam no topo da lista dos defensivos mais vendidos no país, com 219,5 mil toneladas e 62,5 mil toneladas, respectivamente. Na sequência aparecem o fungicida Mancozebe, o herbicida Atrazina, os inseticidas Acefato e Malationa, o orgânico Cletodim, enxofre (usado como fungicida e inseticida) e S-metolacloro (herbicida).
Houve um salto também na comercialização de produtos microbiológicos para tratamento das lavouras, como vespas, bactérias e fungos. As vendas desses organismos vivos cresceram 133% entre 2020 e 2021, quando passaram de 600 para 1,4 mil toneladas.
Mato Grosso foi o Estado que mais consumiu os insumos químicos em 2021, com quase 151 mil toneladas, e também os biológicos, com 360,3 toneladas. Na safra 2021/22, as lavouras de soja ocuparam, sozinhas, perto de 11 milhões de hectares no Estado.
Já a comercialização de ingredientes ativos de produtos técnicos de uso da indústria - aqueles que dão origem aos formulados, que chegam diretamente ao consumo dos produtores rurais - foi de 275,5 mil toneladas em 2021.
O Ibama organizou as informações em um painel eletrônico. Nele, é possível observar que a maioria dos agrotóxicos que têm registro e podem ser usados no país não foram efetivamente comercializados. Em 2021, dos 2.962 produtos formulados existentes, apenas 1.226 (41,4%) foram vendidos. Não houve comercialização de 1.736, ou 58,6% do total.
O órgão não informa os dados relativos a estoques iniciais e finais. O relatório é elaborado a partir das informações que o Ibama recebe das companhias que têm produtos registrados no Brasil. Ao todo, 194 empresas enviaram dados de produção, importação, comercialização e exportação de agrotóxicos de 2021.
O número é um pouco diferente do divulgado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). Segundo a entidade, o volume total de defensivos agrícolas aplicados no Brasil em 2021 chegou a 1,1 milhão de toneladas, o equivalente a quase US$ 15 bilhões. A CropLife Brasil, que reúne as principais fabricantes de pesticidas do país, ainda não consolidou os dados de vendas de agrotóxicos de 2022.
O Ministério da Agricultura também divulgou recentemente a lista final de registros de agrotóxicos em 2022. Ao todo, foram registrados 652 novos produtos, sendo 373 formulados. A Pasta autorizou também 279 produtos técnicos.
O registro de produtos biológicos aumentou 47% em relação a 2021, para 136 novos defensivos, e atingiu recorde. Desses, 79 têm uso específico na agricultura orgânica. Ao todo, já há 645 produtos de baixo risco registrados no Brasil.
Entre os 373 agrotóxicos formulados que foram registrados no ano passado no país, 168 são genéricos e apenas 35 são feitos à base de algum ingrediente ativo novo. Fonte ouvida pelo Valor atribui os dados à evolução do sistema de registro, ao estabelecimento de novas especificações de referências para produtos fitossanitários destinados à agricultura orgânica e a uma reorganização dos órgãos competentes pelos registros, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ibama.