O Globo, n 32.364, 17/03/2022. Mundo, p. 16

ARMAS PARA A UCRÂNIA



BIDEN ANUNCIA US$ 800 MILHÕES EM AJUDA AO PAÍS

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou ontem uma ajuda extra de US$ 800 milhões para reforçar a defesa da Ucrânia, em um novo pacote que inclui drones e 800 sistemas de defesa antiaérea. Após a entrevista a jornalistas na Casa Branca, Biden disse que o presidente da Rússia, Vladimir Putin, é “um criminoso de guerra”.

De acordo com Biden, Washington ajudará a Ucrânia a adquirir 800 sistemas antiaéreos de mísseis de longo alcance, “para garantir que os militares ucranianos possam continuar a deter os aviões e helicópteros que estão atacando seu povo”. O presidente americano ainda anunciou que fornecerá nove mil armas antiblindados, drones e sete mil armas menores, como metralhadoras, espingardas e lançadores de granadas.

—Este novo pacote, por si só, vai fornecer assistência sem precedentes à Ucrânia —disse o presidente.

PEARL HARBOR E 11/9

Desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, o presidente americano já anunciara dois pacotes de apoio militar direto à Ucrânia, em 26 de fevereiro e no último sábado, no valor total de US$ 550 milhões. Desde 2014, a ex-república soviética já havia recebido dos EUA US$ 5,6 bilhões em ajuda, incluindo para defesa e desenvolvimento econômico. No ano passado, a assistência em segurança foi de US$ 650 milhões.

Mais cedo, em discurso por videoconferência ao Congresso dos EUA, Zelensky comparou a situação de seu país com os atentados do 11 de Setembro, e voltou a pedir mais ajuda das potências ocidentais. Ovacionado de pé pelos congressistas americanos, Zelensky expressou gratidão pela ajuda dos EUA, mas disse que o país pode “fazer mais para parar a máquina de guerra da Rússia”.

— Esse é um terror que a Europa não via havia 80 anos. Lembrem-se de Pearl Harbor, na terrível manhã de 7 de dezembro de 1941, quando seus céus ficaram escuros com os aviões os atacando. Lembrem-se do 11 de Setembro, o terrível dia quando o mal tentou tornar suas cidades campo de batalhas. Nosso país experimenta isso todos os dias —disse.

SEM ZONA DE EXCLUSÃO AÉREA

Zelensky também reiterou que a Ucrânia precisa de uma zona de exclusão aérea em seu território, pedido já rechaçado pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), já que poderia colocar a aliança militar ocidental em confronto direto com a Rússia.

Ontem, Biden negou novamente o pedido, e disse que a criação de uma zona de exclusão aérea sobre a Ucrânia seria como uma “Terceira Guerra Mundial”. O Pentágono também recusou pedidos para enviar caças para a Ucrânia. O próprio Biden já reiterou que vai defender “cada centímetro” de território da Otan, mas deixou claro que não enviará tropas e aviões para combater na Ucrânia, que não faz parte da aliança.

Após a entrevista, na Casa Branca, Biden chamou Putin de “criminoso de guerra” por ter invadido o território ucraniano. Minutos depois, a secretária de Imprensa da Casa Branca, Jen Psaki, justificou a declaração e disse que o presidente americano estava “falando com o coração” depois de ver imagens na TV de “ações bárbaras de um ditador brutal durante sua invasão de um país estrangeiro”.

O Kremlin, por sua vez, rebateu a acusação.

— Consideramos inaceitável e imperdoável semelhante retórica por parte de um chefe de Estado, cujas bombas mataram centenas de milhares de pessoas em todo o mundo — declarou o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, citado pelas agências Tass e Ria Novosti.