O Estado de S. Paulo, n. 47900, 09/12/2024. Economia & Negócios, p. B3
Haddad diz que aporte nos Correios não está fechado
Flávia Said
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reafirmou ontem à noite que qualquer operação de socorro aos Correios vai depender da aprovação de um plano de reestruturação da estatal. Ainda segundo ele, pode haver um aporte de recursos federais, mas ainda não existe qualquer decisão fechada sobre isso.
“Nós sempre estamos condicionando tudo ao plano de reestruturação. Os Correios precisam mudar, precisam ser reestruturados”, defendeu ele, ao ser questionado sobre novas conversas em torno do socorro à estatal. “Está tudo caminhando bem, mas, enfim, ainda com detalhes para acertar.”
Sobre a possibilidade de um aporte nos Correios ainda neste ano, como forma de honrar as despesas de curto prazo, como folha salarial e 13.º salário, Haddad afirmou que “até teria”. “Mas não é uma coisa que está decidida”, repetiu ele. Na sequência, indagado se um eventual aporte seria no valor de R$ 6 bilhões, ele respondeu: “O valor é inferior a esse, pelo que eu sei, que é algo que está sendo aventado, mas não está decidido”.
Como eventual caminho para a liberação de um aporte, o ministro disse que isso poderia ser feito por meio de um Projeto de Lei do Congresso Nacional (PLN), instrumento geralmente usado para tratar de questões orçamentárias.
Como o Estadão informou, está em estudo no governoo que vem sendo chamado de “solução ponte”, para que os Correios consigam iniciar a implementação do seu plano de reestruturação sem a necessidade de negociar com as instituições financeiras em condições desfavoráveis.
EMPRÉSTIMO. Os Correios correm para conseguir a liberação de empréstimo de R$ 20 bilhões para lidar com uma crise financeira sem precedentes. De janeiro a setembro deste ano, a empresa teve prejuízo de R$ 6,05 bilhões, em uma combinação de queda de receitas com aumento de despesas.
Com o empréstimo, a empresa pretende quitar uma dívida de R$ 1,8 bilhão e pagar fornecedores em atraso, além de financiar um programa de desligamento voluntário (PDV) e fazer investimentos para tentar recuperar espaço no mercado de encomendas e elaborar novas fontes de receitas.
Na semana passada, o Tesouro Nacional avisou que não daria aval a um empréstimo nesse montante se as taxas de juros estivessem acima de 120% do Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Proposta apresentada por um consórcio de cinco bancos, entre eles, o Banco do Brasil, foi de juros equivalentes a 136% do CDI.
Cenário
R$ 6 bi é o valor do prejuízo acumulado pelos Correios nos nove primeiros meses do ano
R$ 20 bi é quanto a estatal tenta negociar de empréstimo com um consórcio de bancos