O Globo, n 32.364, 17/03/2022. Mundo, p. 15

Dois países neutros apontam o caminho



> A Suécia foi neutra na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e fez parte do Movimento Não Alinhado durante a Guerra Fria, embora tenha cooperado secretamente com os Estados Unidos no fornecimento de informações confidenciais sobre a União Soviética. O país renunciou à sua neutralidade formal quando aderiu à União Europeia (UE) em 1995 e a substituiu por uma política de não alinhamento militar.

> A Suécia aumentou as ligações com a Otan nos últimos anos e participa regularmente de exercícios militares. Mas a primeira-ministra Magdalena Andersson rejeitou recentemente os pedidos da oposição de adesão à aliança ocidental, dizendo que isso desestabilizaria a segurança da Europa.

> A Suécia também participou de missões da Otan e da ONU, por exemplo, no Mali, no Afeganistão e no Iraque, embora geralmente em funções como treinamento e suporte de comunicações. Hoje, o país coopera estreitamente com vários outros em matéria de defesa, incluindo os EUA, a França e a vizinha Finlândia, que também não é membro da Otan.

> A Suécia faz parte da Força Expedicionária Conjunta, uma força de resposta rápida liderada pelos britânicos com foco no Atlântico Norte e na região do Mar Báltico.

Nenhum de seus aliados está formalmente comprometido a lutar ao lado da Suécia se ela for invadida.

> Após a invasão da Ucrânia pela Rússia, a Suécia disse que planeja aumentar os gastos militares para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) o mais rápido possível, o nível que os membros da Otan devem cumprir, embora a maioria atualmente não o faça.

O MODELO AUSTRÍACO

> Moscou fez da neutralidade da Áustria, com base no modelo da Suíça, uma condição de sua independência quando a ocupação do país pelas quatro forças aliadas após a Segunda Guerra Mundial terminou em 1955.

> A Áustria se tornou efetivamente na época uma “zona tampão” entre o bloco oriental e o Ocidente, mas os países que a cercam agora são todos membros da Otan, com exceção da Suíça e do pequeno Liechtenstein.

O país tem um Exército relativamente pequeno e subfinanciado, com cerca de 22 mil militares na ativa, e 945 mil na reserva. Seus gastos com defesa foram de apenas 0,6% do PIB em 2020, o segundo nível mais baixo da UE depois de Malta, mostram as estatísticas do Eurostat, bem abaixo da média da UE de 1,3%. O chanceler austríaco, Karl Nehammer, sugeriu aumentá-los para pelo menos 1%.

> A Áustria é parceira da Otan e participa de operações sob mandato da ONU sob o comando da organização, como a força de manutenção da paz KFOR em Kosovo. O país geralmente não permite que potências estrangeiras usem seu território ou enviem militares através dele, a menos que estejam agindo sob mandato do Conselho de Segurança da ONU.