Valor Econômico, v. 23. n. 5670,17/01/2023, Política, A9
Marinho disputará comando do Senado
Caetano Tonet
O PL confirmou nessa segunda-feira (16) a candidatura do senador eleito, Rogério Marinho (RN), como nome de oposição na eleição para a presidência do Senado. Marinho enfrentará o atual presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), hoje considerado favorito na disputa.
O martelo foi batido em reunião com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, na sede da legenda. Também participaram os senadores Carlos Portinho (RJ) e Wellington Fagundes (MT), além do líder do partido na Câmara, deputado Altineu Cortes (RJ).
Segundo Marinho, a candidatura representa um grupo político de senadores que querem um equilíbrio maior entre os Poderes. Pacheco tem se aproximado do atual governo.
“Por omissão, o Senado perdeu relevância, perdeu importância. É necessário que a Constituição seja colocada em prática”, afirmou o senador eleito, referindo-se a decisões do Judiciário. Marinho é ex-ministro do governo Jair Bolsonaro (PL), marcado por ataques do então presidente ao Judiciário.
Apesar das críticas, Marinho defendeu o diálogo como o caminho para pacificar o país e afastou a possibilidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele defendeu a punição dos responsáveis pelos ataques às sedes dos três Poderes, mas diz que o governo federal erra ao generalizar. “O Senado precisa sentar-se à mesa com o Supremo com o objetivo de pacificar o país”, argumentou. “O país está conflagrado e a culpa é recíproca. Não podemos encarar como normal que o novo governo chame metade do país de fascista”, disse, referindo-se às declarações de autoridades da administração Lula sobre os atos terroristas praticados por apoiadores radicais de Bolsonaro.
Marinho, que já começou a visitar alguns Estados, deve contar com o apoio de PP e Republicanos. “A luta está equilibrada. Ele [Pacheco] tem mais partidos, mas isso não significa nada. A disputa ficará entre 10 a 15 senadores indecisos”, afirmou.
A eleição está marcada para 1 de fevereiro. Para ser eleito presidente do Senado, é preciso conquistar 41 dos 81 votos.
Do lado oposto, interlocutores de Rodrigo Pacheco estimam que o atual presidente tenha entre 55 e 60 votos. Entre seus aliados, a ideia é contrapor aqueles que defendem a democracia aos radicais bolsonaristas.
Além disso, por ser o atual favorito, Pacheco tende a ter mais poder de barganha para consolidar a aliança que o reconduzirá ao cargo e poderá repartir os estratégicos cargos da Mesa Diretora do Senado e os comandos das comissões temáticas da Casa.
Um dos postos mais cobiçados é a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), hoje presidida pelo senador Davi Alcolumbre (União-AP), aliado de Pacheco e seu cabo eleitoral. A expectativa de lideranças partidárias é que Alcolumbre tente permanecer no cargo com o apoio de Pacheco.
Ao apoiarem a reeleição do senador mineiro, MDB e PT também devem pleitear cadeiras capazes de influenciar a condução da Casa. Com a perspectiva de tramitação do novo arcabouço fiscal e da reforma tributária, por exemplo, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) também tende a ser objeto de desejo.