Valor Econômico, v. 23. n. 5670,17/01/2023, Agronegócio, B8
Na última década, renda média de cafezais cresceu 38% no Brasil, diz estudo 

Paulo Santos 

 

No intervalo entre 2018 e 2021, os cafezais brasileiros renderam, em média, R$ 21,7 mil por hectare, o que representou um crescimento de 38% em comparação com o desempenho médio do período entre 2008 e 2011, quando a “produtividade em valor por hectare” foi de R$ 16,8 mil. A constatação aparece no estudo “Agronegócio do Café - Produção, Transformação e Oportunidades”, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). 

No mesmo comparativo, a produtividade agrícola aumentou 42,5% no Brasil, passando de 21,1 para 30 sacas de café por hectare. A área de plantio, por sua vez, diminuiu 12,3%, para 1,8 milhão de hectares. 

“Apesar da redução da área plantada, o setor investiu em tecnologia e ganhou eficiência por meio do incremento de árvores plantadas e do adensamento dos pés em produção, proporcionando o aumento do volume da colheita”, destacou a Fiesp, em comunicado. De acordo com o estudo, o número de árvores plantadas do grão cresceu 12,1%, somando 7,1 milhões de plantas. 

O volume médio de café disponível para processamento e consumo subiu 13%, para 21,2 milhões de sacas. Já o consumo per capita no Brasil ficou estagnado - a média nos dois intervalos foi de 6 quilos por habitante por ano.

O número de países importadores do café brasileiro cresceu ao longo da última década, passando de 134 para 149. A receita com os embarques, em contrapartida, caiu 27%. As vendas ao mercado externo tiveram desempenho atípico em 2011, quando o faturamento foi de US$ 8,8 bilhões. Desde então, o valor total das exportações oscilou entre US$ 5,1 bilhões e US$ 6,6 bilhões por ano. 

O Valor Bruto da Produção (VBP) das lavouras cresceu 13% na comparação entre os dois intervalos, para R$ 39,8 bilhões. 

A produção aumentou 25,3%. Na média das safras de 2008/2009 a 2011/2012, a produção foi de 44,3 milhões de sacas de 60 quilos; já entre os ciclos de 2018/2019 e 2021/2022, a média foi de 55,4 milhões, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). 

“Esses números sugerem uma evolução nos fatores de produção, com melhoramento genético, boas práticas agrícolas e boa infraestrutura das propriedades. Investimentos em máquinas, equipamentos e implementos agrícolas tornaram possível o aumento na produtividade, na produção e no valor gerado”, ressalta o estudo da Fiesp.