O Globo, n 32.365, 18/03/2022. Economia, p. 16
JPMorgan processa pagamento de US$ 117 milhões da Rússia
Banco teria enviado dinheiro ao Citi com aval dos EUA, evitando calote de Moscou
O governo russo emitiu ordem para honrar o pagamento de US $117 milhões em juros de sua dívida externa, que venceu na quarta-feira, a fim de evitar o calote. Os recursos teriam sido processados pelo JPMorgan Chase e enviados por este ao Citigroup, segundo fontes a par do assunto.
O JPMorgan foi o banco correspondente usado pela Rússia para enviar os recursos ao Citigroup, que é o agente responsável pela operação, disseram as fontes, que não quiseram ser identificadas. O JPMorgan mandou o dinheiro para o Citi depois de ter obtido a aprovação das autoridades americanas, afirmou uma das fontes. Nem o JPMorgan nem o Citi quiseram comentar.
Ainda que os europeus que detêm títulos da dívida externa russa não tenham tido qualquer sinal dos recursos, a notícia trouxe a expectativa de que os pagamentos possam ser quitados. Nos mercados de credit default swap (CDS, espécie de seguro contra calote), a probabilidade de um default da Rússia este ano recuou de 59% para 57%. Na semana passada, chegou a 80%.
—Parece que, no momento, o risco de um calote técnico está fora da mesa —disse Kaan Nazli, gestor da Neuberger Berman.
O Ministério de Finanças russo havia informado, em nota, que a ordem para fazer o pagamento de US $117 milhões havia sido dada no último dia 14 e que uma filial do Citi em Londres seria responsável pela operação. O ministro de Finanças, Anton Siluanov, afirmou que emitiria um novo comunicado quando o banco recebesse o pagamento.
No início de abril, haverá um novo vencimento, desta vez de US $2 bilhões. A Rússia tem cerca de US$ 630 bilhões em reservas internacionais, mas metade desse valor está bloqueado por causa das sanções impostas pelos EUA e aliados, em represália à invasão da Ucrânia. Por isso, o russo não descarta fazer os pagamentos em rublos.