O Globo, n 32.366, 19/03/2022. Brasil, p. 26
Combustível sobe até 14,4% nas bombas
Bruno Rosa e Raphaela Ribas
Pesquisa da Agência Nacional do Petróleo é a primeira após o reajuste da Petrobras. Em uma semana, gasolina ficou 8,73% mais cara para o consumidor. No ano, O diesel acumula alta de 24,5%
Na primeira pesquisa semanal de preços da Agência Nacional do Petróleo (ANP) após o reajuste da Petrobras, no último dia 11, o combustível ficou até 14,4% mais caro nas bombas. O levantamento tem como base os valores cobrados ao consumidor entre 13 e 19 de março. No dia 11, a estatal aumentou a gasolina em 18,77% e o diesel, em 24,9% nas refinarias. Segundo a ANP, o preço médio do litro da gasolina subiu de R$ 6,683 para R$ 7,267 em uma semana, o que significa alta de 8,73%. É a terceira semana seguida de alta. No ano, a gasolina já subiu 10,17%.
O preço máximo da gasolina nos postos ficou pela segunda semana acima dos R$ 8. Nesta semana, o maior patamar foi de R$ 8,399 por litro no Rio. Na semana anterior, o maior valor registrado chegou a R$ 8,77 na Bahia. No caso do diesel, o preço médio passou de R$ 5,814 para R$ 6,654 nas duas últimas semanas, uma alta de 14,4%. Foi a quarta semana consecutiva de aumento nos preços nos postos. No ano, o diesel acumula avanço de 24,5%.
O gás de botijão (de 13 quilos) subiu 9,8%, passando de R$ 102,42 para R$ 112,54 no período.
O aumento dos combustíveis, como reflexo do preço do petróleo no exterior, veio acompanhado ainda de pressão sobre o preço do gás canalizado, que deve subir 60% até agosto.
SEM DEFASAGEM
Com o alívio na cotação do petróleo no mercado internacional ao longo da última semana, a defasagem nos preços dos combustíveis no Brasil vendidos pela Petrobras praticamente acabou. Dados da Abicom, a associação que reúne os importadores de combustíveis, mostram que o valor vendido do diesel no Brasil chegou a ser mais caro que no exterior duas vezes nesta última semana. Segundo cálculos da associação, o litro do diesel vendido no Brasil pela Petrobras foi, em média, R$ 0,27 (6%) mais caro que no exterior na quarta-feira e R$ 0,08 (2%) mais elevado na quinta-feira. Nesta sexta-feira, no entanto, com o avanço do barril no exterior, o diesel vendido no Brasil está 8% (R$ 0,40 por litro) mais barato. Segundo fontes, a estatal já avalia efetuar uma redução nos preços na próxima semana, se o preço do petróleo continuar na faixa atual dos US$ 100.
Pedro Rodrigues, sócio do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), afirma que ainda é difícil prever o comportamento dos preços nas próximas semanas em razão da volatilidade decorrente da invasão da Ucrânia pela Rússia. Para Rodrigues, o repasse do aumento de preços dos combustíveis é inevitável, uma vez que o Brasil é importador de derivados de petróleo.
— Se a defasagem fosse muito grande, poderia haver desabastecimento — resume.
Na sua avaliação, foi melhor a Petrobras ter elevado as tarifas do que repetido a decisão de 2014 de segurar os preços, o que teve forte impacto sobre as finanças da estatal.
— Esse é o pior cenário. Quem tem que fazer (o controle) é o governo. Nos Estados Unidos estão usando estoque para tentar baixar o preço. Na Europa, discutindo redução de tributo. Diante do impacto nas contas públicas, a equipe econômica agora discute com o Congresso um subsídio direcionado para motoristas de aplicativo e taxistas. É uma alternativa à proposta do presidente de zerar PIS e Cofins, impostos federais, que incidem sobre o combustível.