Correio Braziliense, n. 22742, 26/06/2025. Economia, p. 7
Lula faz duras críticas a Trump
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez duras observações sobre a instabilidade política e econômica internacional, endereçadas, especialmente, ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A fala não estava prevista na reunião do CNPE, por causa de uma inflamação na garanta, mas ele resolveu improvisar.
Lula criticou os países que investem em conflitos armados, enquanto milhões de pessoas passam fome. “O mundo gasta U$ 2,7 trilhões para fazer guerra. Quando nós temos 733 milhões de seres humanos que vão dormir sem ter o que comer. É de se perguntar: que políticos nós temos no mundo? Qual é o humanismo que tem dentro de cada chefe de Estado que prefere pensar na morte e na destruição, ao invés de pensar na paz e na construção?”, questionou.
Sem citar o nome de Trump, Lula ironizou a postura política baseada em discursos para as redes sociais. “Nesse mundo conturbado, você tem um presidente de uma nação do tamanho dos Estados Unidos que deveria primar por um discurso, pensar o que falar, ser menos internet e mais chefe de Estado, pensar mais no multilateralismo, muito mais na paz”, criticou.
O presidente também abordou o tema da soberania agrícola, questionando a não aceitação da “safrinha” de milho brasileiro pelos Estados Unidos. “Eu acabei de saber agora que os Estados Unidos não reconhecem a nossa safrinha de milho. Quando era safrinha, eles até queriam reconhecer, mas agora que a tal da safrinha é maior do que a safra normal, eles não querem mais”, disse Lula.
Ele aproveitou o tema para reforçar a importância da produção nacional. “Nós plantamos milho, temos duas safras por ano. E nós queremos que seja respeitada a grandeza e a soberania desse país”.
Lula também fez um balanço dos desafios que enfrentou ao retornar à Presidência após 15 anos fora do cargo. Segundo ele, ao reassumir o governo em 2023, encontrou obras paralisadas e ministérios desestruturados. “Esse país tinha 3 milhões de creches paralisadas. O país estava com ministérios totalmente desestruturados”, relatou. O presidente citou a extinção de pastas importantes, como os ministérios da Cultura, da Mulher, dos Direitos Humanos e da Igualdade Social, como exemplos do desmonte institucional do último governo, que precisou reverter.
Lula também aproveitou a aparição pública para fazer a defesa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, elogiando a seriedade na condução da política fiscal, numa indireta às críticas de parlamentares. “Vocês sabem da seriedade com que o Haddad trata da economia. Nós estamos há quase três anos tentando consertar a economia”, afirmou. O presidente lembrou medidas como a PEC da Transição, a criação do novo arcabouço fiscal e a aprovação da reforma tributária. “A reforma tributária aprovada não foi o que nenhum de vocês queria, nem o que eu queria. Foi o possível. Foi o que dava para fazer, e é assim que se governa: com responsabilidade e com diálogo”, disse. (VO)