Correio Braziliense, n. 22742, 26/06/2025. Política, p. 2
Lula sai em defesa de Haddad e de medidas fiscais
Victor Correia, Vanilson Oliveira
Horas antes da contundente derrota no Congresso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seus auxiliares reagiram à votação “surpresa” do PDL para a derrubada do decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O governo esperava ter mais tempo para negociar e tentar evitar uma derrota, mas a pressão de deputados sobre o presidente da Câmara, Hugo Motta (RepublicanosPB), e a insatisfação com a equipe econômica levaram a uma reviravolta na discussão.
Durante evento pela manhã, Lula saiu em defesa do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e negou que seu governo esteja agindo para aumentar a carga tributária.
Já seus ministros voltaram a defender a tese de que o pacote fiscal anunciado visa taxar apenas os mais ricos e trazer justiça tributária à economia.
“Tem uma hora que a gente tem que deixar os nossos interesses individuais de lado e pensar um pouco neste país. Vocês sabem da seriedade com que o Haddad trata a economia. Vocês sabem que nós estamos há quase três anos tentando consertar a economia”, discursou o chefe do Executivo.
Haddad virou alvo prioritário de parlamentares, investidores e alguns setores econômicos pelas medidas fiscais que apresentou. O Executivo argumenta que a elevação dos impostos mira a camada mais rica da população, corrigindo distorções tributárias.
“Agora, é importante a gente saber que a gente precisa cuidar deste país. Não é jogar a responsabilidade no Congresso Nacional, ou jogar no presidente da República.
É jogar em nós. Antes de eu perguntar ‘o que que o Lula fez?’, eu tenho que perguntar ‘o que que eu estou fazendo?’. A nossa carga tributária hoje é menor do que em 2011. Mesmo assim, eu estou cansado de ouvir empresário falar da carga tributária”, disse Lula. Ele argumentou ainda que falta “compreensão e acreditar no país”. Ressaltou que não precisa de nenhum técnico do Fundo Monetário Internacional (FMI) para dizer o que é responsabilidade fiscal.
Parlamentares sinalizam que não vão aceitar medidas que aumentem impostos e pressionam para que o governo corte gastos de programas como o Bolsa Família.
“Vocês sabem da seriedade com que o Haddad trata a economia. Vocês sabem que nós estamos há quase três anos tentando consertar a economia”
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República