O Globo, n 32.366, 19/03/2022. Economia, p. 33

AVibras entra em recuperação judicial e demite 400

Ivan Martínez-Vargas


Empresa de armamentos diz que teve resultados financeiros impactados pela pandemia

A fabricante de armamentos e equipamentos de defesa Avibras, uma das maiores indústrias de defesa do Brasil, pediu recuperação judicial ontem e demitiu 400 de seus 1.400 funcionários em São Paulo. O pedido de proteção contra a falência foi protocolado no Fórum de Jacareí (SP), onde a empresa tem uma fábrica. Na petição, a Avibras afirma que as exportações de armas e equipamentos, que correspondem a cerca de 85% de sua receita, minguaram durante a pandemia de Covid-19. Em nota, a empresa afirma que manteve as “atividades essenciais para o cumprimento dos compromissos contratuais assumidos junto aos seus clientes”. Ao comentar os motivos da demissão em massa, afirma que “teve seus resultados fortemente impactados pela pandemia da Covid-19, sobretudo nos aspectos financeiros, com a postergação de negociações dos contratos de exportação e a consequente redução significativa em suas vendas”.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos afirmou que a dispensa “pegou todos de surpresa e ocorreu sem prévia negociação”. Dirigentes do sindicato protocolaram uma notificação extrajudicial, reivindicando a suspensão imediata de todas as demissões e pedindo uma reunião com a empresa.

EXPORTAÇÃO PARA O IRÃ

Fundada na década de 1970, a Avibras fabrica mísseis, foguetes, drones e softwares destinados à defesa e tem sua receita concentrada em exportações. Irã e Arábia Saudita, por exemplo, estão entre os compradores de blindados da companhia. Em 2020, primeiro ano da pandemia, a receita da empresa despencou 10,4%, de R$ 950 milhões para R$ 851 milhões. O Ebitda (lucro antes de juros impostos depreciação e amortização) do ano foi negativo em R$ 82 milhões. O prejuízo foi de R$ 129,3 milhões.