O Globo, n 32.366, 19/03/2022. Economia, p. 33

JBS inicia fabricação de fertilizantes no interior de SP



A Campo Forte pode produzir 150 toneladas do insumo por ano. E vai utilizar como parte da matéria—prima dejetos dos rebanhos de corte da companhia

Um dos maiores produtores de alimentos com base em proteína animal do mundo, a JBS deu a partida em uma nova faceta de seu negócio com a fabricação de fertilizantes. Matéria-prima para a nova unidade de produção, instalada em Guaiçara, no interior paulista, não falta. Em grande parte, vem dos dejetos gerados pelos rebanhos mantidos pela companhia para corte. A Campo Forte Fertilizantes terá capacidade de produção de 150 toneladas por ano do insumo. Para isso, vai consumir 25% do resíduo orgânico gerado pelas operações da JBS. Assim, a nova unidade de negócios contribui para o compromisso assumido pela companhia de zerar o balanço líquido das suas emissões de gases causadores do efeito estufa até 2040. A entrada do grupo no ramo de fertilizantes também contribui para reduzir a dependência brasileira de importação do insumo. Atualmente, 87% do volume de fertilizantes consumidos no Brasil são provenientes de importação. “Isso traz uma grande oportunidade para expansão da empresa”, avalia, em nota distribuída pela companhia, Susana Carvalho, diretora executiva na JBS Novos Negócios, vertical sob a qual está a nova fábrica.

A JBS investiu R$ 134 milhões na instalação da unidade da Campo Forte Fertilizantes. O projeto teve início em 2016, com um estudo promovido pela companhia para identificar como fazer o melhor aproveitamento de resíduos das suas operações.

DEPENDÊNCIA DA IMPORTAÇÃO

A nova fábrica produzirá uma linha de fertilizantes orgânicos, organominerais e especiais, a partir do aproveitamento dos resíduos orgânicos e também de matérias-primas minerais. A guerra na Ucrânia expôs a dependência do agronegócio brasileiro dos fertilizantes importados. O Brasil é responsável por 8% do consumo global de fertilizantes, segundo dados da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República. E é o quarto país em consumo, atrás de China, Índia e Estados Unidos.

Na semana passada, o governo lançou um plano nacional para o setor. Ele prevê ampliar em 25% a produção de fertilizantes orgânicos até 2025, como opção aos importados, além da criação de incentivos fiscais e outras medidas para atrair fábricas ao Brasil e a exploração de novas jazidas minerais.