O Globo, n 32.366, 19/03/2022. Economia, p. 26

''Não fomos nós que fizemos essa inflação”, afirma Guedes

Gabriel Shinohara


Ministro diz que alta de preços é resultado da pandemia e da guerra na Ucrânia

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que o governo brasileiro não é responsável pela alta na inflação nos últimos anos. Segundo ele, os causadores da alta de preços foram a pandemia e, neste momento, a guerra entre Ucrânia e Rússia. Guedes argumentou que no exterior as pessoas entendem quando a alta de preços não é culpa do governo.

— Todo mundo reclama quando a inflação é alta por excesso de gastos do governo, e todo mundo lá fora entende que, quando tem uma guerra, a inflação é alta. Eles perdem (poder de compra) e não é culpa do governo. Quando tem a guerra lá, por exemplo, quando você vai nos EUA hoje, o Biden tá dizendo: a culpa é do Putin, Putin é que causou a inflação —disse, citando o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e o presidente russo Vladmir Putin. Segundo o ministro, assim como lá fora, todos no Brasil deviam entender que o governo não é culpado pela inflação.

— Todo mundo sabe que não foi o governo americano, como todo mundo devia saber no Brasil que não fomos nós que fizemos essa inflação. Nosso déficit é zero, nosso Banco Central está bem na frente dos outros. Não fizemos essa inflação, foi a guerra que fez a inflação, foi a Covid que fez a inflação —citou. Depois de seguidas altas em 2021, a inflação continuou subindo este ano e continua acima dos 10% na taxa acumulada dos últimos 12 meses. Segundo o IBGE, o percentual acumulado chegou a 10,54% em fevereiro, bem acima da meta de 3,5% estabelecida para este ano. No último dia 10, a Petrobras reajustou a gasolina em 18,77% e o diesel em 24,9%, acompanhando os preços internacionais que foram afetados pelo conflito, já que a Rússia é uma grande produtora de petróleo e foi alvo de sanções.

Além disso, a dificuldade com os fertilizantes, boa parte deles importada da Rússia, também tem causado temores de pressão nos preços de alimentos no país.

Com esse cenário, o Banco Central, que já vinha elevando a taxa básica de juros, fez uma nova alta para 11,75% ao ano, o maior patamar desde 2017. O objetivo é controlar a alta de preços.