Valor Econômico, v. 23. n. 5679, 28, 29 e 30/01/2023, Política, A11
Governistas acertam divisão de cargos no Senado
Vandson Lima e Caetano Tonet 

 

Os partidos aliados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chegaram a uma pré-definição da divisão de espaços no Senado Federal, caso se confirme a recondução do atual presidente, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), por mais dois anos. 

Além da presidência da Casa, o PSD permanecerá à frente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), indicando o senador Vanderlan Cardoso (GO) para o posto, caso a coalizão governista seja vencedora. O MDB manterá Veneziano Vital do Rêgo (PB) como primeiro vice-presidente e pleiteia para o senador Renan Calheiros (AL) o comando da Comissão de Relações Exteriores (CRE), que realiza as sabatinas de indicados pelo governo a representações diplomáticas no exterior. 

O União Brasil deverá indicar a senadora Professora Dorinha (TO) para a segunda vice-presidência. O ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (AP), aliado de primeira hora de Pacheco e seu operador na captação de votos para a eleição interna, será novamente indicado para presidir a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), colegiado mais importante da Casa. 

O PT ficaria com a primeira-secretaria do Senado, um posto cobiçado por deter um grande número de cargos em comissão a serem ocupados por indicados do partido, além de uma ou duas comissões temáticas. 

Duas fontes com quem o Valor conversou ressalvaram que essa distribuição é um esboço, podendo mudar a depender de novos acordos até a eleição, que ocorrerá na quarta. Caso um partido que apoie candidaturas concorrentes resolva “pular o muro” e se acertar com Pacheco, posições podem ser alteradas. 

O senador Jayme Campos (União-MT) será reconduzido à presidência do Conselho de Ética do Senado em caso de vitória de Pacheco. Esta será uma posição valorizada na atual conjuntura, já que eventuais denúncias contra senadores que tenham participado ou estimulado os atos golpistas de 8 de janeiro serão remetidos ao Conselho. Jayme é homem de confiança de Pacheco e foi inclusive convidado para integrar o PSD, mas deve permanecer no União Brasil. 

O PSD, após uma ofensiva para filiar novos nomes na Casa, será o maior partido do Senado, com 16 integrantes - três a mais que o PL, que lançará Rogério Marinho (RN) à disputa. A senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) já aceitou o convite do PSD, feito pelo presidente da legenda Gilberto Kassab, e Eliziane Gama (Cidadania-MA) está próxima de um acordo. 

Além delas, a socióloga Jussara Lima (PSD-PI) assumirá o posto por conta da nomeação de Wellington Dias (PT-PI) para o Ministério do Desenvolvimento Social. 

Ex-ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (PL-RN) é o principal oponente de Pacheco. O PL recusou sondagens para apoiar o atual presidente em troca de melhores espaços na composição da mesa-diretora e das comissões. Assim, o partido do ex-presidente Jair Bolsonaro vai para o “tudo ou nada” na disputa. 

O PL começará a legislatura com 13 senadores, já que Marcos Rogério (RO) se afastou por problemas particulares, dando lugar a Samuel Araújo (PSD-RO). 

Há ainda a candidatura de Eduardo Girão (Podemos-CE). Mas ele não conta com apoio integral nem mesmo em seu partido.