O Globo, n 32.368, 21/03/2022. Política, p. 07

Álvaro Lins e outros chefes seguiram o mesmo caminho no passado



CONTEXTO

Desejado por delegados, o cargo de chefe da Polícia Civil era diretamente subordinado à Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio. A estrutura organizacional, no entanto, foi alterada em 2019, com a eleição de Wilson Witzel, no ano anterior. O então governador extinguiu o posto de secretário de Segurança Pública, com o argumento de que a medida reduziria a politização do cargo, e criou duas novas secretarias subordinadas a ele: a de Polícia Civil, hoje ocupada por Allan Turnowski, e a de Polícia Militar, gerida pelo coronel Luiz Henrique Marinho Pires.

Independentemente do nome do cargo, ao longo dos anos, o número um da Polícia Civil fluminense mirou no Legislativo. Os chefes da corporação acumularam candidaturas, escorados em suas gestões. Marcelo Itagiba, por exemplo, já foi eleito para a Câmara Federal, assim como Álvaro Lins. Também exchefes da Civil, Zaqueu Teixeira e Helio Luz ocuparam cadeiras na Alerj.

Na visão de Paulo Baía, o histórico de êxitos eleitorais reflete uma visão ainda positiva das forças de segurança do estado, ante uma parcela relevante do eleitorado: —Todos os candidatos que foram chefes da Polícia Civil terão mais de 20 mil votos nas eleições deste ano. Haverá divisão de votos, sim, mas todos terão grandes votações. Pouco importa que tenham perfis parecidos. Curiosamente, este fenômeno de prestígio eleitoral não acontece de forma tão compulsória com os comandantes da PM. A pasta é politizada há muito tempo, mas mostra que a segurança pública ainda é a pauta prioritária de muitos eleitores e que a Polícia Civil ainda goza de prestígio.

Além dos ex-chefes de polícia civil, delegados e comandantes de batalhões da PM também devem aparecer em grande número na corrida eleitoral. O PDT espera lançar em dobradinha com Martha Rocha, o delegado Orlando Zaconne, que é visto como nome ideal pelo presidente nacional do partido, Carlos Lupi.