O Globo, n 32.369, 22/03/2022. Economia, p. 12
Preocupação com oferta leva petróleo a US $ 115,62
Investidores acompanham se países da União Europeia vão seguir o embargo do governo de Joe Biden ao óleo russo
A preocupação com a escassez da oferta de petróleo fez com que o barril do Brent encerrasse os negócios ontem em forte alta, cotado acima de US$ 115. Os investidores estão atentos já que países da União Europeia (UE) avaliam aderir ao embargo imposto pelos Estados Unidos ao óleo russo. O contrato para maio do Brent subiu 7,12%, negociado a US$ 115,62 o barril. Já o contrato para abril do petróleo tipo WTI avançou 7,09%, a US$ 112,2 o barril.
Há negociações previstas para esta semana entre os governos de países da UE e o presidente americano Joe Biden, além de uma série de encontros que tem por objetivo endurecer a resposta do Ocidente a Moscou após a invasão da Ucrânia.
Ontem, a vice-primeira ministra da Ucrânia, Iryna Vershchuk, disse que não havia chance de as forças do país se renderem na cidade portuária de Mariupol. A Rússia, por sua vez, demonstrou insatisfação com o andamento das negociações. Com poucos sinais de que o conflito possa se atenuar, o foco voltou a ser a capacidade do mercado suprir os barris de petróleo afetados pelas sanções.
Um ataque no fim de semana a instalações petrolíferas da Arábia Saudita, grande produtor, também afetou os preços. “Um ataque Houthi (de rebeldes do Iêmen) a uma unidade saudita, alertas de queda de capacidade na produção da Opep e um potencial embargo da UE ao petróleo russo fizeram os preços da commodity saltarem na Ásia”, disse Jeffrey Halley, analista sênior da Oanda em relatório. “Mesmo que a guerra da Ucrânia termine amanhã, o mundo vai enfrentar um déficit estrutural de energia devido às sanções à Rússia”, complementou ele.
No fim de semana, os ataques feitos pelo grupo Houthi, aliados iemenitas do Irã, causaram uma queda temporária na produção da refinaria saudita da Aramco, uma joint venture (parceria) em Yanbu, ampliando as preocupações no já turbulento mercado de petróleo, no qual a Rússia é um fornecedor chave enquanto estoques estão em níveis mínimos há anos.
O último relatório da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e aliados, incluindo a Rússia, juntos conhecidos como Opep+, mostrou que alguns produtores estão abaixo das cotas acordadas. Na Rússia, a Bolsa de Moscou voltou a negociar os títulos soberanos do governo ontem.
O Banco Central (BC) russo manteve a taxa básica de juros em 20% na sexta-feira, patamar que foi alcançado após o início da guerra na Ucrânia e como resposta às fortes sanções econômicas impostas ao país. O BC também anunciou que começará a comprar os títulos na tentativa de reduzir a volatilidade dos papéis.
O rendimento dos títulos de dez anos de referência da Rússia subiu para um recorde de 19,74% nas negociações antes da abertura do mercado. No fim do pregão, ficou em 14,1%. A intervenção do banco no mercado deve ajudar a trazer um pouco mais de liquidez. As vendas de títulos por não residentes, que possuíam 19,1% desses ativos no início de fevereiro, não serão autorizadas até o dia 1º de abril, informou a Bolsa de Moscou.