O Globo, n 32.369, 22/03/2022. Política, p. 08
PSDB aposta em aliança da terceira via para segurar Leite
Gustavo Schmitt
Líderes de partidos que negociam candidatura única de centro alertam gaúcho sobre risco de ficar isolado se migrar para o PSD
A eventual aliança entre União Brasil, MDB, Cidadania e PSDB nas eleições de 2022 é um dos trunfos dos tucanos para fazer o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, ficar no partido. Em conversas reservadas, lideranças dessas siglas têm alertado Leite para o risco de isolamento caso escolha o PSD, de Gilberto Kassab.
Dirigentes de partidos de centro que negociam a construção da terceira via com o PSDB ouvidos pelo GLOBO dizem que a conversa com o PSD teria que começar do zero, já que Kassab não vem participando das negociações.
Leite tem considerado a possibilidade de ficar na legenda e renunciar ao governo estadual em abril. Aliados que tentam convencê-lo a ficar no PSDB dizem que o nome do candidato a presidente será confirmado na convenção do partido, independentemente do resultado das prévias. Afirmam ainda que a construção da terceira via pode pesar na definição.
— Vejo o Leite como uma liderança que tem uma visão social democrata que representa o nosso campo e que será importante para o futuro. Pedi pessoalmente que fique junto com agente — afirmou o presidente do Cidadania, Roberto Freire.
No União Brasil, Leite mantém boas relações com o secretário-geral da sigla, ACM Neto, que já fez elogios públicos ao gaúcho e sinalizou para ele que deveria continuar no PSDB.
Ontem, o presidente nacional do partido, Bruno Araújo, fez mais um gesto pró-Leite, durante filiação à sigla do senador Alessandro Vieira( SE ).
— Houve um manifesto, talvez o mais poderoso entregue a um filiado do PSDB, para sua manutenção no partido. Confiamos firmemente que possamos continuar tendo o governador em nossos quadros — disse Araújo.
Assinada por ex-presidentes tucanos e até aliados do governador paulista, João Do ria, a carta foi vista no partido como um aceno de que o gaúcho pode ter protagonismo tanto para ajudar a costurar uma aliança por uma candidatura única para a Presidência, tanto para concorrer à reeleição ou ao Senado. O cenário visto como mais provável, hoje, por correligionários é de uma renúncia de Leite, mas a ida para o PSD já não é mais vista como certa.
Lideranças tucanas também não descartam a possibilidade de desistência de Doria, caso não melhore seu desempenho nas pesquisas.
Leite tem sido pressionado para que decida logo sua situação eleitoral, já que sua sucessão ao Palácio do Piratini está emperrada.