O Globo, n 32.370, 23/03/2022. Política, p. 04
Pré- candidatos gastaram R$ 9,9 milhões nas redes
Marlen Couto
Partidos e interessados em concorrer nas eleições deste ano têm investido em anúncios no Facebook e no lnstagram
A menos de sete meses das eleições, partidos e pré-candidatos já começam a lançar mão do impulsionamento em redes sociais para ampliar seu alcance digital e mirar segmentos específicos do eleitorado. É o que revela um levantamento do GLOBO a partir de dados da biblioteca de anúncios da Meta, empresa controladora do Facebook e Instagram. Ao todo, as duas plataformas receberam R$ 9,9 milhões em anúncios com temas sociais, eleições e política nos últimos três meses, de acordo com dados das próprias redes.
A prática é permitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE ). De acordo com a resolução do tribunal, o impulsionamento fica liberado, desde que não haja disparo em massa por meio de aplicativos de mensagem instantânea e pedido explícito de votos. Ainda de acordo com a norma, a moderação de gastos deve ser respeitada. Não há, no entanto, um cálculo definido para estipular eventuais valores gastos.
Entre os presidenciáveis, a pré-candidata do MDB, a senadora Simone Tebet (MS), é por enquanto quem mais gastou. Nos últimos 30 dias, o partido desembolsou R$ 138 mil para patrocinar conteúdo. Simone tem poucos seguidores na comparação com os demais nomes da disputa: 154 mil no Facebook e 120 mil no Instagram.
A senadora tem patrocinado conteúdo voltado principalmente para o eleitorado feminino no Mato Grosso do Sul e em São Paulo. Ao todo, são 42 peças que já receberam impulsionamento.
Sigla do ex-ministro Sergio Moro, o Podemos investiu R$ 46 mil nos últimos meses com postagens que exaltam a Operação Lava-Jato. O conteúdo, no entanto, é compartilhado na página do partido e não na de Moro. O foco tem sido atingir homens entre 25 e 34 anos das regiões Sudeste e Sul.
No âmbito estadual, um dos destaques é Marcelo Freixo (PSB), pré-candidato ao governo do Rio, com quase R$ 60 mil gastos em impulsionamento por seu partido nos últimos três meses. Em fevereiro, o deputado patrocinou postagens em que se apresenta como candidato do ex-presidente Lula.
Especialista em Direito Eleitoral e vice-presidente da Comissão de Proteção de Dados e Privacidade da OAB do Rio, Samara Castro explica que a liberação do impulsionamento antes do pleito partiu de uma mudança recente de entendimento da Corte Eleitoral:
— É preciso tomar alguns cuidados. O pré-candidato não pode, por exemplo, pedir voto. Outro é não impulsionar propaganda negativa. Nesses casos, pode ser aplicada multa.